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afonsonunes

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29 Out, 2009

Vara

 

Toda a gente sabe que vara é uma manada de porcos, rectifico, uma manada de suínos, para aqueles que sabem a diferença entre uns e outros. Uma vara de suínos é aquela manada que a gente encontra no campo, à chamada vara larga, sem pocilga individual, porque a natureza é a sua porcaria mais ou menos limpa.
Uma vara de porcos, geralmente, é um determinado grupo de sujeitos que só sabem andar no meio de sujeiras, sejam elas próprias de actividades desenvolvidas em palácios ou similares, ou em pocilgas mais ou menos parecidas com edifícios que, à primeira vista, deviam ser imunes a esse tipo de actividades.
Mas, há outros tipos de varas muito diversificados, desde o reino vegetal até ao reino da justiça, passando por suplícios tão complicados quanto os que proporcionam as camisas de onze varas, onde tantos cidadãos se vêem manietados durante anos sem fim, quando não para a vida inteira.
Essa é a especialidade de certas varas humanóides, ao conseguirem pegar num elemento isolado de uma suposta ou previsível vara, e fazer dele o representante máximo de uma espécie, à qual ninguém perguntou se aceitam tal prerrogativa de exemplo, sem um pouco de desprezo das suas dignidades desprezadas.
Suponho que qualquer vara, como manada que é, também tem o seu orgulho, a sua auto estima, que não é devidamente salvaguardada ao ver ignorados os seus direitos de identidade colectiva, salientando apenas as virtudes de um dos elementos que, obviamente, nunca se devem sobrepor aos da restante vara.
É evidente que varas há muitas, tantas vezes em busca de feitos extraordinários de bom comportamento de elementos de varas alheias, quando podiam olhar para dentro das suas próprias varas, obtendo resultados muito mais surpreendentes, que aqueles que procuram longe da sua porta, a muitas varas de distância.
Tudo quanto é notícia actual, passa hoje por uma vara (iedade) de habituais criadores de alvoroços em que, de vez em quando, nos enredam com surpreendentes descobertas de uma grande vara de porcos, em que um deles tem a primazia, talvez porque tenha o rabo maior, ou as orelhas mais descaídas.
No entanto, a vara agressora, não se dá conta que pode ter uma deficiência na vista, que lhe restringe a visão de conjunto da vara observada. Que pode ter uma deficiência na língua que a impossibilita de dizer o que sabe com o enquadramento de todas as varas envolvidas, e não apenas de uma delas e, dentro dessa, da equidade e importância de cada porco, dentro da sua própria vara.
Também já vamos estando habituados a que nos mostrem demasiadas varas que, passado pouco tempo, se vê que não passavam de uns leitõezitos que se divertiam uns com os outros, por entre mamadas, sob o olhar atento e protector da porca grande que os pariu a todos.
Por entre as varas que as fazem, andam varas que as inventam, e ainda as varas que vão vivendo com o nunca mais acaba destes varados insaciáveis.