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afonsonunes

afonsonunes

01 Nov, 2009

Malditas sondagens

 

Ainda não se esqueceram os desastrosos resultados que elas nos deram nos últimos actos eleitorais e eis que foi agora conhecida mais uma, embora muito pouco divulgada, e ainda bem, pois as suas conclusões são, indubitavelmente, uma forte forma de pressão sobre a vitória de toda a oposição.
Para um derrotado governo minoritário, à beira de se constituir num nado morto, não há melhor ajuda que uma oportuníssima sondagem a dar-lhe quase, quase, a maioria absoluta e, não há nada pior para a oposição, que um balde de água fria em cima das cabeças escaldantes, cheias de planos para suspender, revogar, alterar, criar de novo.
Neste complicado enquadramento político das sondagens, é fundamental que se diga abertamente, que se lixem as sondagens, senão o governo acaba por não ter aprendido nada com a terrível derrota de há dias. Portanto, mais que nunca, é preciso mudar de políticas mas, sobretudo, mudar a política das sondagens.
Para quem não esteja a ver bem o problema, eu explico. Como é compreensível, se o governo não dialoga com a oposição, versus não suspende, não revoga, não altera, não aceita as novas criações, torna-se extremamente perigoso apresentar uma moção de censura.
Se isso for muito perigoso, como demonstra o resultado da última sondagem, a oposição encolhe-se e o governo torna-se ainda mais casmurro. Não quero dizer arrogante, porque isso já se tornou corriqueiro, além de que, arrogantes, é o que mais há por aí. Ora, uma oposição encolhida, é pior que um governo casmurro.
É muito difícil aos deputados da oposição não se encolherem, quando paira sobre eles o fantasma de novas eleições, em que os seus lugares conquistados à custa de tanto esforço, podem ruir como cadeiras de cera, em dias de subida de temperatura. E, na verdade, eles sentem que o clima dificilmente lhes voltará a ser tão favorável como foi.
É certo e sabido que isto é tudo uma questão de moção, mais que de monção, e é por isso que a política de sondagens tem de ser rapidamente alterada, de forma que não favoreçam o governo tão escandalosamente, ainda que tenham de favorecer a oposição, mesmo de forma que tudo pareça de inteira justiça.
Depois, pode haver quem pergunte, com toda a pertinência, qual o motivo porque havia de se fazer uma sondagem, numa altura destas, em que é essencial reprovar, em lugar de aprovar, precisamente, para que o governo aprenda, de uma vez por todas, que perdeu as eleições.
Como é lógico, com uma sondagem destas na frente, o governo só pode ter a tentação de dizer, vá lá, reprovem, por favor, não se façam rogados, senão somos nós que apresentamos uma moção de confiança, para saberem que nós somos mesmo dialogantes. Aliás, porque perdemos, temos aí uma data de candidatos a deputados que não foram eleitos por vossa culpa, e estão ansiosos por ver regularizada essa anómala situação.
Mais uma forte razão para se mudar de política de sondagens. Esta de agora, também afunda um bocado o presidente que, assim, está a ir atrás dos seus amigos inseparáveis, facto que só favorece o governo, na medida em que, para os lados de Belém, alguém tem de se encolher mais do que pensava.
Para que neste país haja um pouco de coerência e de sentido de responsabilidade, deve ser obtido um consenso entre todos os partidos para que não se publiquem mais sondagens, nem seja possível apresentar moções, durante os próximos quatro anos.
Este consenso é muito urgente porque, entretanto, pode estar a caminho, outra maioria absoluta de má memória e, depois, chapéu…