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afonsonunes

afonsonunes

02 Nov, 2009

O PS na sucata

 

Por vezes fico deprimido, quando não mesmo chocado, porque as notícias que me põem na frente, não são suficientemente explícitas, de modo a não me deixarem qualquer espécie de dúvida sobre o juízo de valor que delas faço. Podem dizer que não tenho nada que lhes dar valor, nem que fazer juízos que eu, provavelmente, não tenho.
Aceito todas as observações, até porque julgo que também sou um bom observador. Senão, deixem-me observar o seguinte. Já reparei que tenho as duas faces bem visíveis, ao contrário de quem tem uma face oculta, moda agora bastante na berra, em tudo quanto é notícia. Lá chegaremos, mas desconfio que qualquer dia também se vai usar, ter as duas faces ocultas, como a Lua Nova. Faces ocultas, mas que toda a gente conhece bem, mesmo às apalpadelas.
Só ainda não percebi como é que conseguem, numa face oculta de gente, descobrir tantas notícias e, ainda por cima, enterradas nos mistérios da justiça que, segundo dizem, devia mesmo ser cega dos dois. E, mais complicado ainda, tudo com origem numa casa de alterne onde, penso eu, só se vê a face visível porque, a oculta, essa ficou em casa.
As notícias ainda não esclareceram se a casa de alterne era do PS, mas tudo leva a crer que sim. Ainda que fosse do PSD, isso era indiferente, pois serviria também de alternativa aos malandros do PS, que têm o mau hábito de não querer companhias incómodas, que lhe retirem o protagonismo noticioso.
As notícias também ainda não me esclareceram se o arguido preso, o que está no chilindró, também é do PS, coisa que me parece muito estranha, pois assim, posso ficar maldosamente a pensar que ele é do CDS ou do BE. Do PSD ou do PCP não é de certeza pois, quem é do primeiro, já tem lugar marcado e bem definido e, quem é do segundo, não se mete nessas coisas.
Também não percebo porque razão a investigação não esclarece desde logo, nos documentos que a informação dela recebe, se os catorze arguidos são todos do PS. Assim, evitavam que houvesse essas omissões na informação, que acabam por dar uma notoriedade excessiva ao PS, em prejuízo dos eventuais elementos de outros partidos. Isto, esta parcialidade evidente, era caso para ser devidamente comunicado à Comissão Nacional de Eleições.
Além disso, se os investigadores pusessem logo os pontos nos ii, ao escreverem os autos, a comunicação social tinha a vida bastante facilitada e deixava de ser acusada de inventar factos que, de maneira nenhuma, lhe podem ser atribuídos, porque se trata apenas, e só, de falta de clareza dos citados autos, que recebem ainda antes de estarem assinados.
Contudo, e particularmente no que me diz respeito, eu adoro tudo o que é oculto. É um fascínio pensar se, em catorze, seis ou sete são do PS, se o PSD terá mais um ou menos um que o PS, se o CDS e o BE conseguiram meter, no mínimo, um arguido cada um ou se, ao menos aqui, o BE ganhou ao CDS. Só não é oculto que o PCP não conseguiu ter um único arguido e isso, sou apenas eu, e só eu, que o garanto. Simplesmente, porque não é dessas coisas e, além disso, é sempre discriminado, em termos de comunicação social.
Mas, de tudo, o que me faz mais confusão não são os catorze arguidos, nem a sua distribuição partidária. É a sucata. É ver que a investigação já anda na sucata. Tudo me leva a crer que é mais um processo para cair na sucata. Entretanto, toda essa sucata, custa milhões aos cofres do estado e aos bolsos dos que ainda não estão na sucata.
A propósito, também devia constar dos autos, a simpatia ou a filiação partidária dos investigadores. Ou não?