Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Ainda há quem se admire muito pelo facto de certos políticos inventarem, de tempos a tempos, uns oportunos tabus para alimentar a fome devoradora da comunicação social mas, principalmente, os insaciáveis adoradores de banquetes mediáticos intermináveis. Quando a política de Agosto dá uma ligeira trégua, por causa dos banhos de multidão, em calções e pés descalços nas quentes areias de uma qualquer praia, a gula jornalística tem de pegar noutros tabus e encher, encher, encher…
E foi assim que surgiu o tabu do pote, depois de muitas dúvidas de que, afinal, o pote, mesmo a transbordar, podia não interessar para nada.
O pote estava preparado para acolher quarenta milhões e a espectativa foi alimentada no sentido de que teria de se calcar muito bem o conteúdo do pote para que nele coubesse mais algum milhão, que viria por acréscimo devido à qualidade do produto. Sim, porque o produto era de qualidade extra fina, o que, logo à partida, excluía qualquer negociação tendente a reduzir o preço dos quarenta.
De tabu passou a novela, aqui e ali com características de folhetim. Se o produto queria ardentemente sair, o produtor não abandonava aquele ar de vendedor especulativo, certo de que, mais dia menos dia, o negócio estaria concretizado. Acontece que não tardou a falar-se em, mais semana menos semana, sempre com o destino do produto seguro e os milhões a deixarem alguma folga no pote.
E as semanas foram passando, a folga do pote foi crescendo, enquanto a validade do produto se aproximava do termo. Não se falava de outra coisa em qualquer encontro mostrando-se, como era inevitável, a transacção de um produto que tanta água fazia crescer, mais na boca dos vendedores que, propriamente, na dos prováveis compradores, apesar de um deles ser um comissário antigo, pronto a compensar antigas comissões.
Mas, a propaganda parecia ter a melhor comissão do negócio, tal o interesse e a insistência com que promoviam o produto. Já havia gente enjoada com tanta repetição de conversa e imagem, como se o produto fosse mais importante que o Vinho do Porto ou os Cruzeiros do Douro.
Mas, finalmente, no último dia do prazo de validade, o produto segue para o seu destino, ao encontro do habitual importador, que nunca pareceu muito entusiasmado com a compra, mas vá lá.
O maior problema esteve no cacau que entrou no pote. Parece que dos quarenta, apenas entraram dezoito e tal. Mais um brinde.
É caso para dizer: Vá lá, vá lá…     
Mas, para quem está de fora e tanto suportou, dirá com grande alívio:
Chiça!... Finalmente…