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afonsonunes

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06 Nov, 2009

Keixa krim

 

Isto que diz o título é uma coisa que se quer fazer, mas se sente que não vale a pena fazer, logo, fica-se entalado entre o momento da decisão e o fim da comichão da hesitação. Normalmente, acaba por surgir a coçadela salvadora no momento próprio e a decisão avança finalmente, mesmo com muito poucas esperanças de sucesso.
A minha keixa krim acaba de ultrapassar essa fase difícil e vai mesmo seguir em frente. O primeiro alvo é o responsável máximo da Comissão Europeia, e a fundamentação da minha keixa krim tem a ver com o facto de me sentir enganado, senão mesmo ludibriado, pela falta de informação em tempo útil sobre o momento actual que o meu país atravessa.
É um verdadeiro krim, um organismo internacional tão prestigiado, e albergue de tantas e tão competentes individualidades, oriundas de tantos países, que não seja capaz de fazer um diagnóstico tão pormenorizado e tão claro sobre o estado do meu país, de modo que eu saiba em quem hei-de votar, quando a urna está aberta.
Mas, muito mais surpreendente, é que toda essa nata da área da economia e das finanças de toda a Europa, não seja capaz, ao menos, de escutar os nossos autênticos sabichões, quer dos partidos da oposição, quer da generalidade dos comentadores especializados, ou de meia tigela, que estão disponíveis vinte e quatro horas por dia, para ensinar os governantes e toda a ignorância que vai pelo partido que os apoia.
É por isso que a minha keixa krim se justifica plenamente, porque a Comissão Europeia serve para nos livrar desses percalços de metidas da pata na poça. Ora, no nosso caso, não só não nos livra dessa desgraça, como ainda é ela que, teimosamente, não quer ver nem ouvir os bons conselhos dos bons conselheiros que cá temos.
É evidente que puxar pela cabeça não é nada fácil, mas essa tarefa já nem sequer existe, pois, basta apenas ouvir um dos muitos debates que por aí se fazem, para se ficar completamente esclarecido sobre as boas políticas que deviam ser seguidas e não o são, por casmurrice dos responsáveis de cá.
Ora, nesse caso, a Europa, nossa protectora, e supostamente nossa salvadora, devia ouvir o que se passa por cá, para se instruir, e depois instruir os governantes sobre a melhor maneira de ultrapassar a crise. Mais, a Comissão Europeia é responsável por toda esta má vontade em aceitar como boas e salvadoras, as medidas que aqui não são aproveitadas, nem pelos de cá, nem em todos os países onde davam um jeitão, para sacudir a crise.
Portanto, parece-me que está perfeitamente justificada a apresentação dessa keixa krim contra toda a classe dirigente da Europa que está a agir com desleixo, comodismo, falta de sentido de responsabilidade, causando danos por incúria e negligência, comprovadas pelos meus sentidos judiciais apurados.
Toda a gente sabe que os comissários têm televisão, tanto em casa como nos gabinetes e, certamente, as nossas transmissões televisivas chegam lá, como chegam a todo o mundo. Não percebo a passividade de um senhor espanhol chamado Almúnia, ao ouvir tantas sugestões sopradas de cá para lá, de borla e que não as aproveita. A Europa nunca vai perdoar-lhe.
Mas, pelos vistos, nós perdoamos tudo, aos que criam muito, mas não querem nada, aos que querem tudo, mas não criam nada de jeito, e aos que não sabem criar, nem sabem o que querem fazer.
Também para estes, estou a ponderar a apresentação de uma keixa krim por danos irreparáveis ao país, com a adenda de que, ao menos, para bem da Europa, o senhor Almúnia, espanhol da crise, seja substituído pela senhora Leite, portuguesa e anti-crise.         
A Espanha agradece a importação, Portugal agradece a exportação, e eu agradeço a poupança de mais uma keixa krim.
 

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