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afonsonunes

afonsonunes

07 Nov, 2009

Anda tudo ao mesmo

 

Está realmente a tornar-se cansativo este afã que cada vez mais nos sufoca, tentando a todo o custo fazer crer aquilo que ainda ninguém sabe, promovendo repetições sobre repetições, sem respeitar ao menos a identidade das origens.
Toda a gente tem tendência para acrescentar um pontinho, ou um pontão, àquilo que viu, ouviu ou leu. Muita gente tem o mau hábito de inventar coisas que julga que são verdadeiras. Parece-me que se trata já de uma verdadeira pandemia, que já levou o meu dedo mindinho maroto, a avisar-me que isto não pode dar bom resultado.
Esta febre das novidades mais ou menos ao sabor das ondas, fazem-me lembrar aqueles putos reguilas e vivaços que querem a todo o custo dar nas vistas perante os mais crescidinhos, contando aventuras cheias de bués e meus, com muitos termos que dantes eram palavrões proibidos em público, mas que hoje são o natural revestimento das línguas deles e delas.
Tenho perfeita noção de que são ondas civilizacionais mas, ou muito me engano, ou são ondas com todos os requisitos para se transformarem em perigosos e destruidores fenómenos da convivência social, neste momento já tão afectada, pelo desprezo ou pela agressividade, que se manifesta em relação aos seus semelhantes.
Como se o sucesso de alguém dependesse da destruição de outrem, como se a simples eliminação de alguém fizesse a felicidade de quem vive mal por muitas outras razões, como se atrás de um mal não pudéssemos mais, vir a ter outro mal.
Há muitas maneiras de se mostrar aquilo que verdadeiramente se é. Não devia ser preciso pisar ninguém para mostrar que se está um, ou mais degraus acima. Uma dessas maneiras, senão a mais importante e a mais digna, é o respeito pelo nosso semelhante, seja ele quem for. Caso contrário, de degrau em degrau, será sempre a descer, até chegar ao fundo.
Há quem se sinta bem assim, no meio desta espécie de romaria de fogos-fátuos, onde se convive com o brilho de fosforescências que nem dá para lhes fixar a luz, sem que a escuridão se sobreponha de imediato a tudo o que nos rodeia.
E o que mais entristece e faz perder a esperança em dias melhores, é a constatação de que, quem tanta moralidade tem pregado nos mais altos púlpitos civis, e quem tanto tem apregoado uma justiça célere e igual para todos os cidadãos, quem prometeu mundos fundos de imparcialidade, a nós, ao olhar-mos para trás, tudo nos parece realmente um conjunto de fogos-fátuos em cemitério de ilusões.
A continuar assim, bem podem esses vendedores de ilusões ir dando o lugar a outros de tempos a tempos, que nada mudará, por mais operações com nomes sonoros ou silenciosos, incipientes ou bombásticos, cheirosos ou bafientos. Dos nomes aos resultados, vai uma data de tiros que saem permanentemente pela culatra.
É que, venha lá quem vier, só nos deixa uma certeza. A certeza de que fala sempre mais do que faz. E não adianta aos que muito falam por fora, quase sempre de cátedra, julgarem que endireitavam tudo o que está torto há muito tempo. Não vão para onde o pudessem fazer, mas se fossem, faziam exactamente o mesmo que aqueles que lá estão. E que aqueles que lá estiveram.
A mim, por mais que me dêem música, mais me convenço que anda tudo ao mesmo.
 

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