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afonsonunes

afonsonunes

26 Nov, 2009

Tentáculos

 

Das redes tentaculares às pequenas redes anda muita gente envolvida, mesmo sem contar com as redes de pesca artesanal, onde os artistas são todos amadores logo, nem sequer estão sujeitos ao pagamento de impostos, como qualquer cidadão que não tem tentáculos, ainda que adore os ditos do polvo, com arroz ou sem ele.
Uma rede tentacular é toda a ‘tropa fandanga’ de um partido que ninguém compreende como é que anda tanta a gente atrás dele, uma vez que só faz asneiras, que só tem malandros do primeiro ao último dos seus aderentes e simpatizantes e que, ainda por cima, ganha eleições.
Uma pequena rede é aquela que se vê logo à vista desarmada que não tem tentáculos, pois os elementos que a compõem movimentam-se mais na base do cérebro, pelo que se pode dizer que é uma rede cerebral. Pode dizer-se mesmo que é uma ‘tropa de élite’, que não se mexe por milhares, mas sim por muitos milhões. Claro que também não podia estar fora da esfera partidária, embora essa esfera seja quase opaca, para o exterior e no próprio exterior.
Enquanto a ‘tropa fandanga’ ganha eleições, a ‘tropa de élite’ perde eleições mas, se formos a contar os elementos de cada uma das tropas, esta última ganha por grande maioria. Tal prerrogativa, mostra que, apesar das aparências, tem muito mais tentáculos que uma rede tentacular. Coisas dos nossos linguistas ou, aparentemente, problemas dos óculos dos ditos, para não levar o caso para algum problema de desconhecimento da tabuada.
Por exemplo, uma rede tentacular pode ter para aí uns dez a quinze arguidos, enquanto uma pequena rede pode chegar aos vinte e muitos. A rede tentacular mete-se com ninharias de sucatas que, para além de ferrugens, nunca dá os milhões que um banco fornece até ficar completamente exaurido, como nos lixou já a pequena rede.
É evidente que a rede tentacular pode vir a ser um monte de trabalhos mas, por enquanto, ainda é apenas um monte de sucata. Quanto à pequena rede, é um monte de milhões que já estão a sair, e vão continuar a sair, dos meus bolsos e de todos aqueles que só estão preocupados com as sucatas.
Isto não quer dizer que eu próprio não esteja preocupado com as sucatas, com os sucateiros, com as luvas que eles têm de usar no manuseamento da ferrugem, e com todos os que possam vir a estar com as mãos sujas e que, mais adiante, podem vir a ser muito mais do que aqueles que agora estão na berlinda.
O que não tenho é aquela tendência mórbida para esquecer a ‘tropa de élite’, tentando encobri-la com a ‘tropa fandanga’, atribuindo a esta, constantemente, origens que se omitem, sistematicamente, em relação àquela.
Para mim, estão em causa pessoas, personalidades, que, de um lado ou do outro, só podem ser incriminadas por quem de direito e após conclusão dos respectivos processos. Processos que estão mais adiantados ou mais atrasados, mas que só valem após passarem pelos tribunais.
Daí que, pelos que já por lá passaram, podemos tirar ilações que não condizem nada com a algazarra que vai por aí. Sobretudo, porque se quer fazer crer que os corruptos moram todos na mesma rua. Porque se quer fazer crer, que quem mais fala na corrupção, é quem mais está fora dela. Porque há quem pense que tem o génio suficiente para semear ilusões.  
Entre sucateiros e banqueiros, há muitos mixordeiros que nadam em duvidosos dinheiros.