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afonsonunes

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04 Dez, 2009

As nossas touradas

Até as touradas estão a perder qualidade em Portugal, terra de tradições, especialmente, no futebol, no fado e nas touradas à portuguesa, com justo relevo para os forcados valentes que se atiram às ventas do animal, depois de ter andado a marrar ou a tentar marrar com os cavalos, que não deviam ter nada a ver com aquilo.
Outras touradas, porém, nos moem o juízo todos os dias e essas, sem bois e sem chocas, nem precisam de grandes espaços como as arenas, tão pouco como as ruas ou os largos, quando se diz que são à vara larga, pois até se desenrolam dentro de edifícios que nem sempre têm licença ou alvará que as permita.
No entanto, nós assistimos a elas, se não ao vivo, pelo menos através da televisão, com a facilidade de não termos que desembolsar o preço do bilhete, embora tenhamos a ninharia da taxa respectiva, que até pagamos sem ter que meter a mão ao bolso. Alguém nos vai ao bolso para nos libertar de mais essa incomoda tarefa.
O espírito tauromáquico está muito entranhado nos políticos, que não podem viver sem esse dom que é a combatividade, a luta de olhos nos olhos, contrariamente aos touros que os especialistas dizem que marram de olhos fechados, aqueles e estes, sempre com o objectivo de fazer morder o pó aos adversários.
Enquanto não mordem o pó, mordem os lábios e esbracejam uns, deitam a língua de fora e espumam abundantemente, os outros. Em ambos os tipos de participantes há muita raiva, acompanhada de urros de uns, de tiros ao alvo virtual, os outros. Muitas vezes, a pontaria é incrivelmente baixa, talvez porque o bicho também baixa a cabeça quando marra.
Vai acontecendo uma ou outra tourada entre bicho e bicha. Não devia ser assim, pois ainda me custa ver que já não há respeito, muito menos delicadeza, pelo sexo oposto, chocando muito mais, quando a bicha ainda usa saias de vez em quando. Parece-me que devia haver uma certa tolerância dele para ela, mesmo que haja algum desmando dela para com ele.
Quando a tourada é só entre eles, começo a ter um certo gozo em ver as tácticas e contra tácticas que utilizam, do tipo de dá-lhe agora que está de costas, ou é melhor calar-me senão ainda digo o que não quero, mas que direi já a seguir.
Por cá vão-se perdendo algumas coisas interessantes, como é a substituição das artes portuguesas pelas espanholas, onde os cavalos vão perdendo preponderância e protagonismo, em favor das capotadas e dos olés. Peço que não liguem à minha ignorância tauromáquica, mas garanto que percebo muito bem as corridas em osso que vejo na televisão, mesmo que não oiça olés, nem veja bem as caras com que alguns ficam.
Gosto especialmente das pegas de caras, quando toda aquela cagança do forcado da cara vai ao ar, com uma monumental marrada, e ainda apanha a segunda antes de cair no solo. Disto é que os espanhóis não têm, por mais cagança que tenham em relação às nossas touradas. Cuidado que eu não sou nada anti-espanhol, pelo contrário, acho que devemos mostrar que somos excelentes vizinhos.
Sobretudo, devemos fazer-lhes ver que, apesar dos infortúnios que lhes têm batido à porta, nós estamos solidários com eles. Até sugiro que lhes proporcionemos umas acções de formação em touradas à portuguesa, tendo como local privilegiado dessas acções, a nossa Assembleia da República.
Quem é que disse que não há lá espaço? Basta aproveitar os lugares que deviam estar ocupados e estão vazios a toda a hora. Até nas touradas devia haver imaginação.  
 

 

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