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afonsonunes

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Quem me avisa meu amigo é. Embora entenda que este dito popular já foi mais convincente, ainda creio que ele tem muito de fiabilidade no sentimento de quem nos avisa. A minha dúvida reside no facto de haver muitos amigos cuja amizade é feita de doçuras pela frente e de facadas quando apanham os amigos de costas.
Pela minha parte, que tenho um aviso sério e interessante a fazer, prometo que não tenho facas, mesmo que também não goste nada de doçuras desnecessárias e fingidas. Com toda a sinceridade, o meu aviso é lembrar que estamos na época natalícia, em plena campanha de estabelecimentos comerciais a abarrotar, mesmo em plena crise. São as prendas.
Já sei que haverá quem diga que não é bem assim, que não há dinheiro, que está tudo metido em casa a tremer de frio, que o Menino Jesus não vai trazer prendas, e coisa e tal, e tal coisa. Pois, mas isso, infelizmente, é para quem é. Depende dos locais onde vamos avaliar essas farturas e essas misérias.    
Mas que vai haver prendas, lá isso vai. E aí é que está o busílis da questão, pois é preciso saber distinguir bem, quem é que, no nosso país, está autorizado a dar e a receber prendas. E depois, é preciso saber que tipo de prendas é que pode dar e receber quem estiver autorizado. Se estas questões têm acontecido à balda, até há bem pouco tempo, agora é preciso muito cuidadinho.
Ainda me lembro bem que os banqueiros recebiam bons presentes pelo Natal. Penso que eram todos, bem, talvez quase todos. Hoje, se tiverem sido do BPN não há problema nenhum, pois estão todos acima de qualquer suspeita. Quanto aos outros, é melhor avaliarem bem em que medida é que se consideram imunes à curiosidade de quem anda à busca dessas coisas.
Se forem conscientes, têm de ter em conta vários factores de risco, que têm de conhecer muito bem, para não serem prendados com alguma surpresa que, por isso mesmo, era completamente inesperada. Porque depois não basta gritar ai ai que ninguém me entende. O risco é uma coisa muito chata, mas também tem o seu grau de previsibilidade.
Lembro que estou a falar de prendas. Dirão que uma caixinha de bombons, para esta época de prendas de Natal, nunca será coisa para proibir ou dar chatice. Pois, convém lembrar que há caixinhas de bombons que custam mais que uma caixa de sardinhas. Portanto, para quem está dentro dos factores de risco, muito cuidadinho com as prendas de bombons.
Sim, porque as prendas de caixas de sardinhas estão mesmo interditas. Porquê? Porque estimulam apetites auditivos que levam à especulação do seu valor, chegando a falar-se em milhares de euros pedidos. É uma prenda completamente desaconselhável, mesmo sabendo-se que, depois de provadas, não valem uma casa de caracol.
Por isso, tiveram muita sorte com as prendas, aqueles que souberam trocar as caixas de sardinha por ourivesaria de Gondomar, investimentos em Oeiras, depósitos na SLN, casas da EPUL, pastéis de Belém, etc., etc. Portanto, nada de prendas de bombons, nem de caixas de sardinhas e afins, porque tudo o que vem do império do doce ou do mar salgado, cai na alçada da justiça.
Ah, a propósito, que ninguém se esqueça que as prendas de Natal a quem está ligado à justiça, têm de ter selo de amostras sem valor, não lacradas para fácil verificação do conteúdo e têm de circular, obrigatoriamente, pelo correio, como correspondência ordinária.
Vai ser lindo este Natal. Vai, vai…