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afonsonunes

afonsonunes

10 Dez, 2009

E vão três

 

 Não, não se pense que estou a fazer contas de sumir, apesar de ainda estar sob o efeito de mais uns milhões que, segundo acabo de ouvir, se sumiram por vontade de três gestores que, por acaso, até não são do partido que não quer lutar contra a corrupção.
Tenho porém a certeza que estes três homens de bem, estão na primeira linha dessa luta que tanto tem dado que falar, mas que nada tem dado de concreto, porque mais uma vez se nota que uma coisa é falar na coisa, outra coisa é acabar com a coisa.
E essa coisa da corrupção parece que está a entusiasmar os corruptos, que se sentem altamente honrados por tanto se falar deles, criando aquele orgulho tão próprio de gente um bocadinho vaidosa, por pertencer a uma elite que anda na boca de toda a gente.
Ainda há dias ouvi dizer que nove de cada dez portugueses eram corruptos. Se isto fosse verdade, garanto que desses nove, oito ainda acham que no meio da concorrência, se encontram altamente prejudicados e, de entre estes oito prejudicados, sete passam a vida a chamar corruptos àqueles que se pensa que o não são.
Isto não pode ser verdade, pois o que a gente vê à nossa volta é tudo gente séria e respeitadora, mesmo aqueles que se amanham à custa de quem diz que não tem nada a ver com gente dessa. Mas, lá bem no fundo, de conversa está o mundo cheio. E nove em cada dez, é muita gente do mesmo lado.
Parece-me que o termo corrupto já começa a estar gasto de velho e do uso. Talvez houvesse todas as vantagens em arranjar outra palavra de substituição, mesmo uma estrangeirice qualquer, que merecesse mais comiseração, ou mais respeito, não sei, pelos martirizados abrangidos por esta pouca vergonha de tanto se falar deles.
Aposto que estas três vítimas hoje anunciadas, depois de tantas cartas, postais e telegramas à volta deles, debaixo deles e por cima deles, estarão a ferver de vontade de pegar num telefone fixo ou telemóvel, para comunicar a sua adesão à campanha contra a corrupção.
Aliás, não me surpreenderia mesmo nada se fossem eles os autores anónimos da ideia da criação de uma comissão para descobrir os maiores corruptos dos últimos vinte anos. A minha surpresa seria se eles dissessem que não queriam saber dessas coisas, voltando as costas e dizendo que, se fosse hoje, fariam tudo exactamente na mesma.
Apesar de tudo, ainda não são estes novos corruptos, tal como o não têm sido outros velhos corruptos, seus amigos inseparáveis, que estão hoje no topo da informação, desde há muito dominada por apenas um, de entre tantos, que foi eleito por unanimidade para encher a verborreia nacional.
Será uma honra merecer tal distinção, mas seria bom que, sendo ele o melhor dos nove entre dez portugueses que podiam ser distinguidos, os restantes oito também tivessem ao menos uma menção honrosa no meio desta competição tão bem orientada pelos juízes de campo que nenhum organismo arbitral nomeou.
Mas, eu volto ao princípio, porque na origem das coisas é que a gente tira as melhores conclusões. E hoje, é caso para dizer que lá vão mais três. Mais uma vez, é caso para dizer que Coimbra é uma lição, de sonho e tradição.