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afonsonunes

afonsonunes

04 Set, 2008

Eu exijo

 

 
Há uma data de tempo que se me meteu na cabeça que tenho o direito de exigir o que gostava de ter, mas tenho verificado que não o faço com aquela genica característica das exigências que são para levar a sério. Vai daí que tenho levado sopa em todos os sentidos. Depois do barulho feito, tenho de recolher a tramela e começar a pensar na exigência seguinte.
Salvo erro ou omissão, a primeira exigência que fiz foi dirigida a um matulão da minha escola primária, a quem exigi veementemente que queria jogar a guarda redes, num joguinho de intervalo das aulas, com o argumento, verdadeiro, de que a bola era minha. Tive sorte, porque o matulão se arrependeu de me dar os dois tabefes prometidos, ficando-se apenas pelas ameaças.
Nunca mais exigi nada a ninguém, porque não queria mesmo levar os tabefes que ficaram em promessa, nem tão pouco me sentia com físico para exigir fosse o que fosse e, mesmo que o tivesse, também não estava na minha maneira de ser, dar uma coisa que não tinha recebido.
No entanto, é com bom humor que encaro as exigências que todos os dias me apetecia fazer, enquanto me rio divertidíssimo com as exigências mais cómicas que aparecem dos mais diversificados exigentes. Vejo-os e ouço-os convictos da sua força de expressão e das suas fortíssimas razões para esperarem com sucesso um resultado positivo, mas logo me lembro da minha falta de físico e dos dois tabefes que estive muito perto de apanhar.
Estou certo de que quem exige, sabe que não leva tabefes, mas também sabe que não leva nada daquilo que exige, mesmo que pense que tem físico mais que suficiente para dar e levar.
Eu próprio já me senti tentado a exigir a demissão de um ministro qualquer, só para ver qual era a sensação de pensar que era superior a ele. Sim, porque se eu exijo a demissão dele, é porque sinto que sou melhor que ele, mais competente que ele, até mais importante que ele, senão deixava-me estar bem caladinho. Além disso, teria também de exigir que ia ocupar o lugar dele para mostrar a toda a gente que tinha soluções para os problemas que ele não fora capaz de resolver.
Sempre exigi muita coisa, mas sempre e apenas de mim próprio. É que assim, quando as exigências falham, não me sinto um falhado qualquer perante alguém que fica a rir-se na minha cara. Se me rir, rio-me de mim próprio e isso será suficiente para ter mais juízo na próxima exigência.

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