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afonsonunes

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Pelo que se vai ouvindo na rua ao longo do tempo, há muita gente que se julga enganada a todo o momento e aos mais variados níveis, como se tudo estivesse planeado e feito para tramar a vida dos inocentes cidadãos. Alguns são realmente tão inocentes que até merecem mesmo ser enganados.
Na maior parte dos casos, essa coisa da inocência é mesmo uma grande treta que só serve para enganar, ou tentar enganar, os verdadeiros inocentes ou, o que também acontece muitas vezes, aqueles que se julgam muito sabidos e espertalhões, mas acabam por cair no laço como patinhos que se portam como marrecos no lago de um jardim.
No entanto, julgo que o melhor engano é aquele em que o enganado sabe que o está a ser, mas rejubila com o privilégio que lhe é dado por algum enganador de respeito. Julgo também que há enganos, enganados e enganadores, que são bem conhecidos mas que, por uma questão de comodidade, lá vão deixando que se governem no seu mundo, desde que não chateiem muito.
A mim não me enganas tu, homem ou mulher que vais gerindo interesses que não são os meus, nem tão pouco são os interesses de quem em vós confia, tantas vezes cegamente, quantas vezes, mais por cegueira mental induzida por sentimentos que nem eles próprios seriam capazes de explicar devidamente ao seu íntimo.
Tudo isto é de todos os tempos e emerge da natureza humana, fraca, interesseira e egoísta, por mais que queiramos arranjar argumentos para justificar que não é bem assim. Para o comprovar, bastaria lembrar aquela frase bíblica que dizia que quem nunca tivesse pecado que atirasse a primeira pedra.
Hoje, porém, atiram-se muitas pedras, até já houve quem, heroicamente, incitasse a que se corresse alguém à pedrada. E a verdade é que se concorre diariamente com grandes pedradas linguísticas para que tenhamos um país bíblico, que parou no tempo, que todos os dias tenta voltar uma página mas, infelizmente, volta sempre para a página anterior.
Basta atentarmos nos maiores influenciadores da opinião e da política, para percebermos que vai tardar muito para que se consiga molhar a ponta do dedo na língua e passar a virar sempre para a página seguinte. Na página anterior já nós estamos fartos de ler e daí não retirámos nada que nos fizesse sair da marcha atrás.   
Agora anda aí a febre dos entendimentos, que seriam desejáveis e salvadores, se fossem possíveis, num quadro de seriedade e sinceridade. Como se cada um dos pretensos candidatos e proponentes a esse entendimento, alguma vez estivesse a pensar nos interesses do país, por mais que carreguem o sobrolho ou dobrem a língua.
A mim não me enganas tu, homem ou mulher que sejas, desde que tenhas no olhar aquele tique que eu distingo à légua, que é o tique do melhor do mundo na arte de enganar, principalmente, todos aqueles que querem que sejam enganados os seus adversários, para ver se o engano não lhes cai em cima.
Como não vejo outra possibilidade, só peço, humildemente, que não se esforcem muito em obter um entendimento comigo, cidadão que já está habituado a ser enganado compulsivamente, e que não vê um motivo sequer para não continuar desentendido.
Desentendido, sim, mas nunca enganado voluntariamente.
 

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