Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Temos de pensar muito seriamente na sobrevivência do país que é, nem mais nem menos, a sobrevivência dos portugueses que andam distraídos e ainda não perceberam que os avisos de alerta laranja, não tarda, vão passar a vermelhos. Quem está a pensar na meteorologia é melhor esquecer, porque o vendaval é outro bem mais complicado. 
Quando o país está cercado por uma praga qualquer, do tipo agrícola, como uma praga de gafanhotos, todas as opiniões convergem no sentido de que é urgente, melhor, urgentíssimo, acabar de vez com ela antes que ela acabe com a gente. É preciso esclarecer que nem só de gafanhotos são as pragas.
A sociedade também se comporta como se, à sua volta e no seu interior, existissem pessoas que constituem autênticas pragas. Por acaso nunca tinha pensado nisso, mas pensando bem, se calhar até nem custa a acreditar que existem mesmo. O problema é sabermos distinguir se a praga é constituída por nós ou pelos outros.
Faz todo o sentido, começo a magicar com os meus botões, pensar que este Portugal que tanto é dos pequeninos como dos grandinhos ou grandalhões, não tem hipóteses de sobreviver neste formato misto. Há que fazer escolhas, já ouvi isto em qualquer lado, e escolher é aproveitar o que se escolhe e deitar fora o que se rejeitou.
Diz-me a experiência que não se pode tocar nas minorias, que têm os seus direitos devidamente acautelados, tanto internamente, como nas instâncias exteriores. Passando à concretização desta afirmação, não se pode pensar sequer em eliminar um partido minúsculo ou um clube de futebol de vinte e tal sócios.
Ora, se não se pode tocar nas minorias, e não se pode sobreviver sem eliminar alguém ou alguma coisa, para que se pacifique a sociedade em convulsões permanentes, temos que nos voltar para o que resta. Exactamente, para o que se pode eliminar sem causar roturas insanáveis, nos intocáveis e não elimináveis componentes das minorias numéricas.
Numéricas, digo muito bem, porque em tudo o resto, têm mesmo e estatuto de maiorias pensantes e decisoras. Se não têm, têm todo o direito a ter e nada, mas mesmo nada, lhes pode cercear tal prerrogativa. Não sei bem o que é uma prerrogativa mas isso também não interessa nada, agora.
Sim, porque agora, o que interessa, e muito, é saber quem é que se pode, melhor, quem é que tem de se eliminar para que este país e esta gente possa recobrar a calma e a tranquilidade de um povo que precisa, como de pão para a boca, para se salvar das calendas gregas. Também não sei o que é isto, mas faz de conta, adiante.
Cá por mim, pensei, voltei a pensar e cheguei à conclusão de que há duas maiorias perniciosas no país, e para o país. Qualquer português concordará comigo que, qualquer dessas maiorias são a fonte, mais, a enxurrada, que aflige um mar de gente que não pára de gritar. Uns gritam de aflição, outros gritam de alegria. Mas todos gritam.
A primeira maioria é constituída pelos benfiquistas que, só desaparecendo, se conseguirá acalmar a tal minoria que não pode viver com o encarnado à vista. Digam o que quiserem, pensem o que lhes apetecer, mas esta guerra já minou o país, e não deixará de o minar, enquanto houver benfiquistas. O país tem de deixar de ter norte e sul, passando apenas a ter norte. E eu acrescento que bem precisa dele.
A segunda maioria é constituída pelos socialistas, com absolutamente ou relativamente mas, não há alternativa senão o seu desaparecimento, para que um país alaranjado, menorzito, mas muito mais ‘arrumadito’, se imponha como um todo indiscutível e à prova de qualquer malandro que julgue que vai para ali amanhar-se. Pelo menos, tudo indica que tal nunca aconteceu no passado.
Depois, continuem os do costume a dizer que não temos alternativa, que vamos explodir, que vamos para as calendas gregas e coisas que tais. Se me derem ouvidos…