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afonsonunes

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Mas é que nem pense em subir os impostos, só porque alguém lhe anda a fazer rasgar as contas que já tinha feito e, depois delas feitas, ter dito que não aumentava os impostos, que são o nosso quebra-cabeças e a causa próxima e remota de termos os bolsos permanentemente rotos.
Nem pense, repito, em aumentar os impostos de forma generalizada para todos os pagantes, embora possa aumentar astronomicamente os daqueles que não pagam, muitos deles que nunca pagaram, nem pensam vir a pagar, por muitos anos que vivam na santa harmonia de um regime fiscal que, para eles, é bestial.
Se pensar aumentar os impostos pode ir preparando os ouvidos para o coro de suplementos de adjectivos que lhe vão acrescentar ao nome, na medida em que os seus admiradores habituais se vão juntar ao já largo e comprido coro daqueles que já repetiram vezes sem conta os respectivos reportórios.
Parece-me que, se o Senhor Ministro não tem fortuna pessoal para acudir às inúmeras necessidades dos contribuintes que só recebem, então não devia ter aceitado o cargo que exerce. Porque já devia estar prevenido para a eventualidade, mais que provável, de não haver dinheiro para tantos pedintes.
E também já devia saber que não podia contar com o dinheiro que anda nas mãos de quem só está disposto a dar apoio moral a quem precisa, embora lhe dê todo o apoio para que o Senhor Ministro entre com o seu. Se não o tem, temos o caldo entornado porque é para isso que servem os governantes.
Oh Senhor Ministro nunca entre pelo caminho dos ameaçadores permanentes, isto é, não faça ameaças, do tipo, se não me deixam cobrar, aumento os impostos. É claro que eles ameaçam logo com o conhecido slogan de, não pagamos. E nada custa ameaçarem com uma mega manifestação de, prá aí uns vinte ou trinta mil, mesmo mal contados.
E depois, nada custa exigirem a demissão do Senhor Ministro em nome do povo português, que não quer saber se o Senhor devia ou não ter dinheiro para tudo o que lhe pedem, melhor dizendo, para tudo o que lhe exigem. Está a ver o filme em que se via envolvido, se resolvesse a despropósito aumentar os impostos.
Portanto, no seu lugar, eu nunca pensaria numa coisa dessas, ainda que tivesse de ir pedir uma ajudinha ao sublimado belenense que, excepcionalmente, não se importaria de contribuir com o seu saber, para a resolução de um problema de excepcional importância para o povo português, que nele confia e de quem espera sempre uma palavra de verdade e sabedoria.
Mas, melhor ainda que qualquer ajudinha providencial, proponho-me ser mais concreto, cooperante e, no meu entender, muito mais eficaz, porque eu proponho uma ajuda palpável, daquelas que não é só blá blá, nem falinhas mansas aos corações empedernidos. Eu quero ajudar e vou provar que estou a sincero e leal para com o Senhor Ministro.
Por isso, daqui garanto ao Senhor Ministro que pode aumentar os meus impostos, na percentagem que entenda justa e necessária, porque juro que não vou reclamar, nem vou manifestar-me fora da minha casa. Aqui, no aconchego do meu lar, posso protestar à vontade, mas isso fica ao meu exclusivo critério e dos meus familiares, no direito que nos cabe à indignação privada e familiar.
Senhor Ministro, com total franqueza e lealdade, só lhe peço que não me aumente os impostos de modo a que fique a pagar mais de que ganho, senão tenho que lhe pedir um subsídio compensatório. Não existe? Agora é que não compreendo. Então eu sacrifico-me a tudo e o Senhor Ministro não pode fazer um pequeno sacrifício?
Já agora, aí vai mais uma proposta honesta. É mais que justo que aumente apenas os impostos daqueles que só querem aumentar a mama e diminuir o leite.
 

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