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afonsonunes

afonsonunes

19 Jan, 2010

Preocupado,eu?

 

Se estivesse preocupado andava triste, provavelmente, lamentar-me-ia muito mais do que o tenho feito, pois quando pairam no ar algumas nuvens ameaçadoras do nosso futuro, a gente tem tendência para amolecer a genica e endurecer o rosto, como se estivéssemos a pedir um safanão daqueles que nos afastam os mais fundados receios.  
Ora acontece que desde estes últimos dias, tenho todos os motivos e mais um, para andar alegre e bem-disposto. Tenho a certeza de que já repararam na minha cara, muito longe daquilo a que alguém, com pouco espírito de observação, chamou cara de pau. É sabido que cavaco é pau, é madeira, mas eu não tenho nada a ver com isso.
Também o facto de um tal homem alegre ter feito uma declaração de concorrência à minha pessoa, não tem nada a ver com a minha alegria, nem tão pouco com a tristeza imaginária que certos observadores de meia tigela pretendem ver na minha falta de reacção a essa declaração que não ouvi, nem está na minha intenção vir a ler ou a ouvir.
Como isso não está nas minhas preocupações actuais está, obviamente, na minha sensação de conforto, num presente que veio numa esplêndida ocasião, em que alguns desconfortos ameaçavam tirar-me o sono.
Agora estou preocupado com o Carnaval que aí vem não tarda, com os seus corsos atrevidotes, onde receio bem aparecer num carro alegórico demasiado pequeno, com a tal cara de pau que não tenho, atrás de outro carro enorme, com um sujeito muito alegre, de barbas, lendo poemas do norte de África, num português meio argelino.
Também estou muito preocupado com o investimento, que nunca devia ser prioritário, naquelas ‘boazonas’ que põem nos carros alegóricos onde vão os outros, alegres e sorridentes, passeando a vista por aquelas acaloradas e irrequietas mal despidas, que até os fazem esquecer as tais prioridades e todas as opções que eu proponho.
Essa de dizerem que é Carnaval, ninguém leva a mal, é uma treta que não entra cá nas minhas. Sim, porque as minhas tretas são mesmo tretas de verdade, não é como essa treta alegre, ou essa outra de quem ainda não sabe se fica alegre ou triste, com a tal declaração que não está ainda nas minhas preocupações.   
Pois, não está ainda. Porque, por agora, quero gozar o sossego que essa declaração provocou no meu íntimo, muito íntimo, muito escondido, que mais não fosse porque rachou ao meio as esperanças daqueles que, anteriormente, criavam em mim alguns receios também muito íntimos, muito escondidos, agora totalmente infundados.
É por isso que, finalmente, posso respirar de alívio porque não é todos os dias, que se arranja um adversário aliado, ainda que luso argelino, muito ´bacano’ e que ainda por cima arrasta consigo um bloco enorme de camaradas.
Eu sei que há dias de sorte. O dia em que nasceu a tal declaração só é comparável a outro semelhante de há uns anos atrás. Dizem até que certos dias de sorte mudam radicalmente a vida da gente. Mas não é a gente que tem essa sorte.
Se eu pudesse ser ‘bacano’ para quem me dá de mão beijada tanta sorte, em duas oportunidades seguidas e tão flagrantes, não tinha dúvidas em o condecorar com a mais alta recompensa, além de lhe oferecer uma boa reforma. Claro, muito melhor que aquelas que já tem, senão lá se ia o meu acto de benemerência.
Digam lá que não tenho boas razões para afirmar, que nem às paredes confesso, as minhas reais preocupações.
 

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