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afonsonunes

afonsonunes

21 Jan, 2010

Não me apetece

 

Nada nem ninguém está a impedir-me de fazer apenas aquilo que me apetece, ao contrário de tanta gente que anda para aí a apregoar que não a deixam fazer tanta coisa que gostava de fazer e alguns, mais prejudicados se sentem ainda, porque dizem que não os deixam dizer aquilo que lhes vai na alma.
É uma coisa que me faz alguma confusão, haver uma discriminação tão grande, entre aqueles que falam sem limites, como eu e muitos outros que leio diariamente, que oiço diariamente, que até aturo diariamente, e aqueles que dizem que lhes tapam a voz, que lhes tiram a caneta da mão, ou lhes barram o acesso ao computador.
Pasmo, porque não percebo, a razão porque se calam ou, se falam, não digam quem lhes faz essas maldades, limitando-se a queixar-se que lhas fazem. Não tenho dúvidas que muitas vezes nos impedem, através de muitas maneiras, de chegarmos onde queremos, mas isso são pequenos truques de alguns desses que tantas vezes se queixam, vá lá saber-se porquê.
Por vezes, já não me apetece dizer nada, porque já disse tantas vezes a mesma coisa, embora tentando sempre arranjar maneiras diferentes de as dizer, que me vem logo à ideia como se sentirá quem me lê se, eu próprio, já não encontro motivo para insistir nesta tarefa inglória e notoriamente sem qualquer resultado.
Embora as minhas pretensões sejam muito limitadas, sou mais levado pelo prazer que normalmente sinto, quando me disponho a exteriorizar aquilo que me apetece pôr cá fora. Mas essa é a única limitação que encontro, daí que pense que só se cala quem quer, ou quem tem interesses em dizer que o querem calar, dizendo apenas o que lhe convém.
Quando passo os olhos por determinados artigos e respectivos comentários que geram, chego a pensar que esses autores e esses comentadores são uns privilegiados, porque ninguém os incomoda, comparativamente àqueles que estão constantemente a queixar-se de não poderem dizer nada, por estarem a ser perseguidos permanentemente.
Normalmente, quem se queixa, queixa-se de instâncias que nada têm a ver com isso, enquanto a pequena censura e o cala o bico, se pratica cá muito mais abaixo, por ditadores de meia tigela, que têm apenas o poder de uma secretária e de uma cadeira, onde pouco mais fazem que dormir a sesta durante todo o ano.
Depois, se alguém os acorda ou os manda ir dormir para outro lado, cai o Carmo e a Trindade, porque é uma perseguição vergonhosa, ou até um atentado à liberdade de se fazer o que se quer e dizer o que apetece, sem olhar aos outros, às leis, ou deveres que eles não suportam ter. Como exigem que os outros tenham.
Vai acontecendo com muita frequência apetecer-me ficar quieto e calado, só para não entrar em conflito de que nada resultaria, senão o inconveniente de criar outros mal entendidos, também muito frequentes nas discussões de lã de cabra ou pêlo de ovelha, tantas vezes para confundir a razão que não se tem.  
Hoje, não me apeteceu mesmo nada puxar pela caixa dos pirolitos. Podia ter ficado quietinho, mas também não me apeteceu. Isto quer dizer que não sou diferente de boa gente que bastas vezes só contribui para mobilizar os desanimadores nacionais, que começam a acreditar que a vida se ganha com estas inutilidades.
Mesmo assim, gostaria de não ser comparado a alguns ‘opinadores’, especialmente, àqueles que mancham certas páginas de pasquins regionais, onde julgam que trocam a sua ignorância nata, por ilusões de conhecimentos que só existem atrás deles.
Podia dizer mais umas coisas mas, sinceramente, não me apetece.
 

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