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afonsonunes

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Toda a gente sabe que os capatazes não são eleitos pelos elementos que constituem a sua capatázia, ou seja, os capatázios que trabalham sob as suas ordens. Os capatazes são eleitos pelo maioral de que dependem, única e exclusivamente, sob a sua soberana vontade. Melhor dizendo, e para simplificar, o capataz é escolhido a dedo pelo seu programador.
No reino das capatázias todos os governantes são eleitos e, de quatro em quatro anos, normalmente, saltam fora por ordem, justa ou injusta, de quem se serve de um papelinho chamado voto. Mas, não se sabe bem porquê, aceitam quase sempre todos os capatazes que já os antecessores dos seus antecessores tinham aceitado.
Isso quer dizer que os governantes vão mudando, vão rodando, mas os capatazes, bons ou maus, só mudam quando se mudam desta para melhor. Gostava mesmo de saber porque razão os governantes não fazem uma limpeza de vez em quando, sobretudo, quando a capatázia está podre, a cheirar a mofo, afectando nitidamente todos os narizes normais dos cidadãos que não são anormais.
Quem não andar distraído identifica facilmente as muitas capatázias que temos à volta, emanando um pivete dos diabos e, no entanto, os capatazes mal cheirosos são, sistematicamente, reconduzidos no final de cada mandato, ainda que os catapázios estejam fartos de os aturar.
O pior é que mais fartos estão os cidadãos deste reino, de ver que tudo evolui no sentido da continuidade de todos os capatazes e de todas as catapázias, que não se limpam por dentro, por motivos óbvios, nem aparece alguém com poder para ir limpando, no mínimo, a porcaria que dá mais nas vistas.
Parece incrível, mas a porcaria é o sustento de muitos capatazes que nunca têm dificuldade em arranjar os capatázios suficientes para que todos sobrevivam à grande e à francesa, à custa das dores de cabeça que vão causando a todos os cidadãos que se alheiam ou nem se apercebem de que são eles os mártires de todas estas infindáveis catrapázias.
Os mandatos já de si são extensos de mais, quando os capatazes andam por caminhos demasiado tortuosos, com curvas a mais, merecendo um vermelho directo logo que se dá por esses desvios, sem esperar pelo fim do mandato. Isto seria o normal se houvesse gente no sítio certo, capaz de mostrar que sabe que há coisas que se devem ter sempre no sítio certo.  
Não é nada disso que se passa. Os mandatos cumprem-se sempre até ao fim, haja o que houver, e são renovados, aconteça o que acontecer, como se tudo corresse às mil maravilhas. Que é assim, basta ir lendo as notícias que nos chegam no dia-a-dia.
Até parece que o país está transformado num reino de tipo siciliano, onde não há poder que seja capaz de se sobrepor ao poder de certos capatazes, nitidamente protegidos por outros poderes mais ou menos antigos, mais ou menos obscuros, que não deixam que nada nem ninguém interfira no seu poder.
Neste reino dos capatazes intocáveis, inamovíveis e quase imorredoiros, cheira bem, cheira a podridão perfumada com várias especialidades das chamadas porcarias nobres.
 

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