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afonsonunes

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04 Fev, 2010

Solidariedade

 

Portugal é um país solidário e tem-no demonstrado a todo o momento e em circunstâncias muito diversas. Basta ler os jornais e ver televisão para se sentir uma onda que vem ao nosso encontro e nos contagia com aquele movimento que nos empurra suavemente para os locais onde há alguém que precisa do nosso apoio e solidariedade.
O grande problema nesta matéria é a boa e a má solidariedade, tal como em tantas outras coisas, onde ao lado do que é útil e generoso, aparece o que é inútil e pernicioso. As coisas boas nem sempre conseguem manter-se à distância das más, para evitar as contaminações, sempre que as misturas se tornam inevitáveis.
Os solidários tanto podem ser altruístas e construtivos, como podem ser egoístas e corrosivos perante os interesses que lhe são postos na rota do pensamento.
Ser solidário para com as boas causas é normal, em pessoas normais. Ser solidário com causas que só trazem o mal para onde ele não existe, é uma maneira lamentável de mostrar o quanto de veneno se tem acumulado no íntimo.
Hoje, não é difícil ver montes de solidariedade com quem a não merece, para quem passa a vida a fazer a vida negra a outras pessoas, para quem aberrantemente se arroga defensor de causas que nunca foi capaz de respeitar, porque o tal veneno interior inibe, ou porque a ganância pelo benefício de outros interesses, muitos e variados, assim o determinam.
Esta solidariedade doentia pode parecer tudo, mas é a negação de valores que a sociedade cada vez mais necessitava de manter longe de todos aqueles que, sendo profundamente individualistas, tudo fazem para disfarçar o seu egoísmo com manifestações de solidariedade balofa e fingida.
Sabemos que há maus profissionais em todas as actividades, o que só serve para nos fazer ver como são indispensáveis os bons. Não precisamos que uns tantos profetas nos venham pregar virtudes onde, de caras, só vemos sectarismo pretensamente bem embalado, com fitinhas e lacinhos coloridos, em caixinhas rotuladas de solidariedade, quando mais não são que armadilhas de cumplicidades com mentiras e desejos obscuros no horizonte das suas mentes.
Já não há apelos que encontrem eco nessas mentes pretensamente clarividentes, que insistem em que quem não veja as coisas como eles, está precisamente como eles estão, com a turbulência mental que o tempo se vai encarregando de colocar no devido lugar e no devido dono e senhor dos seus dotes naturais.  
Há aquela expressão que nos manda meter a mão na consciência quando temos dúvidas sobre o nosso posicionamento em relação a tudo o que é grave, com consequências susceptíveis de ficar a mexer com ela, sob o olhar severo de quem tenha sido atingido.
Também recordo aquela expressão que lembra que nunca é solução dar uma no cravo e outra na ferradura, ou dar com uma das mãos e retirar com as duas de seguida, ou ainda dar um passo em frente e dois atrás.
Em redor de tudo isto anda a solidariedade de muita gente que quer mostrar à força que é solidária com tudo e com quase todos. Se for preciso, e já tem sido, há quem esteja sempre solidário com o criminoso, contra o polícia que o prende. Quem esteja sempre solidário com quem recusa o cumprimento da lei, só porque diz que ela é injusta. Quem esteja sempre solidário com a lógica de que o poder nunca tem razão, só porque é o contra poder que lhe enche as medidas.
Vamos lá ver no que dá esta espécie de solidariedade mas, não é difícil prever que não vai dar grande coisa.