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afonsonunes

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Ora cá vai mais uma proposta que me parece interessante na conjuntura que se nos depara, e que tanta tinta está a fazer correr, para não dizer que está a ficar extremamente cara em palavreado, o que muito contribui para agravar o défice dos que só ouvem, enquanto diminui o crédito dos que só falam e nada ouvem.
Sempre ouvi dizer, se calhar com pouca razão de ser, que todos os processos têm de ter um contraditório que, se estou bem informado, serve para a vítima do processo confirmar que é mesmo vítima e não tem possibilidade de se safar da condenação. Peço que me perdoem se eu estiver a ver o filme ao contrário.
Vem isto a propósito dos muitos processos que andam em averiguações, alguns há muitos anos, sem que os averiguadores consigam entrar na rota do crime do nosso PM. Peço perdão àqueles que consideram que o ‘nosso’ é um exagero de linguagem.
É fácil de imaginar a quantidade de meios que andam envolvidos nisso, provavelmente, em prejuízo de outros processos que também não andam, por outras palavras, marcam passo, por falta de meios. Cá por mim, até me parece que os meios estão proporcionais aos princípios e que, para certa gente, está em conformidade com os fins pretendidos.
Estou mesmo em crer, sem fazer muito esforço de previsão, que não faltará muito tempo para que todos os meios de investigação do país se ocupem apenas do que faz ou fez o PM, deixando tudo o resto, que de resto terá pouco, ao dispor da desejada impunidade de todos os que passam o tempo a dar-nos música.
Tanto quanto suporta a minha ingénua ignorância, ainda não vi mais que desconfianças e suspeitas e, mesmo essas, apenas de carácter político, que nada deviam ter a ver com a justiça. É que há muito tempo que eu esperava ver um PM condenado, vá lá, acusado ou, no mínimo, arguido. Com as ganas que lhe têm, é para admirar.
Ainda segundo a minha ingénua ignorância, espanta-me que o PM não exerça o seu direito ao contraditório, isto é, não diga que não suporta, quem não o suporta a ele, que gostaria de ver na rua, quem quer vê-lo a ele na rua. Afinal, onde é que está o crime, que tanto custa a deslindar?
Com crime ou sem ele, a quem tem a faca e o queijo na mão, falta qualquer coisa para não ser capaz de fazer aquilo que tanto deseja. Vê-lo de costas, afinal, só depende de quem apenas tem de mostrar que os tem no sítio ou, pelo contrário, não passa de… não digo, pronto!
Senão, para haver contraditório como manda a sapatilha, o PM deve criar na dependência do seu gabinete, um departamento de investigação, para ir averiguar, precisamente, as mesmas matérias que os seus bons amigos não conseguem desvendar. Estou certo que, de um dia para o outro, tudo ficaria em pratos limpos, ou não contassem estes novos investigadores com uma informação mais segura, mais limpa e mais transparente.
Sim, porque seria o próprio PM a contar a sua vida desde pequenino e, ao mesmo tempo, estou certo, contaria também tudo o que sabe sobre aqueles que apenas descobrem indícios acerca dele, o que quer dizer que também deve saber umas coisas acerca dos desconfiados e dos que suspeitam de tudo, menos daquilo que eles próprios fazem e dizem.  
Dizer que ele tem de explicar que não fez, não é o mesmo que dizer que ele fez. Falta aí aquilo a que, em justiça, se chama prova. Mas, por onde raio ela andará, que ninguém é capaz de dar com ela? Nestas histórias todas, que metem empresas, empresários, gestores públicos e privados, políticos de vários quadrantes, as mais variadas profissões, comentadores de todas as espécies, haverá apenas um mentiroso? Há muitos, disso não tenho qualquer dúvida.
Estou convencido de que não há ninguém neste país que não gostasse de ver e ouvir os factos em duas dimensões. Aquela que temos todos os dias frente aos nossos olhos e ouvidos, mas também aquela que ainda ninguém nos quis mostrar. E eu gosto de ver para crer, seja naquilo que for. Como diz o povo, não emprenho pelos ouvidos. E há por aí muita falsa gravidez.
Depois, em coisas que à justiça respeitam, há uma série de normas que nunca deviam ser esquecidas. E são-no a toda a hora. Depois, uma coisa é a responsabilidade judicial e outra, bem diferente, é a responsabilidade política. Ambas podem ser igualmente graves, mas nunca se devem confundir, muito menos aqueles que, por dever de profissão, não as podiam confundir. 
É por isso que me vem à ideia, que já tenho ouvido falar no contraditório.