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afonsonunes

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Já tenho ouvido dizer que vivemos na república das bananas. Não sei se quem diz isso vive em alguma dessas repúblicas estudantis, onde não há presidente nem primeiro-ministro. Também não sei se não haverá outras repúblicas, que não as estudantis, mas de características semelhantes.
Estou plenamente convencido de que há quem viva numa república muito pessoal, mesmo que não goste de bananas e se divirta a descascá-las e a atirar as respectivas cascas para o chão, na expectativa de que alguém lhes ponha o pezinho em cima e se espalhe. Para certas pessoas, é sempre um espectáculo assistir a um ‘espalhanço’.
E se for um espalhanço ocorrido na república, isso tem indubitavelmente um sabor muito especial. Mas se for na república das bananas, isso seria o delírio, pois vislumbrar-se-ia, desde logo, a possibilidade de se avançar par a república do marreco, no momento, a de maior impacto social, político e económico.
Estou certo que a república da coutada não concordará com esta análise parcial e precipitada, como me é habitual mas, como estamos em tempo de defeso para a caça a coelhos e lebres, é natural que me vire para as potencialidades do marreco, ainda por cima, com o aval da científica matriarca e indesmentível marreca.
Já na república branca, a mais jovem e alva de entre as três, acredita-se que lhe caberá a subida honra de recolher os frutos do espalhanço da república das bananas, deixando as suas congéneres da coutada e do marreco, a milhas de distância. Porque o marreco, hoje em dia, se transformou em fruto de aviário e a coutada já só nos dá coelhos com ‘malina’.
Não sou eu que me arrisco a avançar com um prognóstico sobre o tipo de república que o futuro, próximo ou longínquo, nos dará. Mas, há muitas possibilidades de se operarem mudanças estratégicas na estrutura das anunciadas iniciativas dessas repúblicas, seguindo o cheirinho perfumado dos tempos ainda retidos na pituitária.
Na coutada, há muito tempo que se ouvem tiros anunciadores da caça ao acesso à república, mesmo em tempo de defeso, enquanto na ‘marrecaria’ nunca se pensou em tal coisa. Eis senão que, há poucos dias, o marreco libertou-se e aí está ele. Na ‘brancada’, após grandes indecisões, a decisão está tomada. Basta saber se é capaz de tomar lugar na república.
Porém, a maior e mais surpreendente expectativa reside numa possibilidade, que já é quase uma certeza, de que o marreco mais uma vez mude de ideias e de objectivos. Atingido o pretendido lugar na república, apressar-se-á a assumir a presidência, deixando a chefia do governo à sua inseparável e conhecedora marreca.
Assim, a república do marreco, que em breve será conhecida pela república dos ‘quá-quás’, terminará com os fortes e estrondosos estragos provocados pelos abalos da decadente, e à beira de ser cadente, república das ‘bananas’. Eu, pessoalmente, tenho uma grande tentação para dizer que se trata da república ‘dos bananas’.
Estou plenamente convencido de que, neste país no meio do bananal implantado, são muito mais os bananas humanóides, que todas as bananas que o país descasca diariamente. Surpreendente é o facto de, em tais circunstâncias, nenhum deles pisar, ainda que por acidente, uma dessas bananais casquinhas e dê um trambolhão. Ou uma simples queda.
Será então inequívoco o tão desejado consenso entre todas as repúblicas. E não se pense que estou a pensar apenas nas atrás citadas. Como por magia, já conhecida aliás, a república amarela, de portas abertas, a república da ceifeira, de foice em punho e a república do cimento, com a parede já concluída, formarão a mega exploração da Marrecaria Quá-Quá.  
O segredo está apenas em saber quem pisa primeiro a traiçoeira casca de banana. Como estamos no Carnaval, as palhaçadas dão para tudo, com todos os bananas e todos os marrecos a divertirem-se à grande e à portuguesa. Portanto, toca a rir à gargalhada.