Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Este título é um mero chamariz, embora saiba perfeitamente que quem entra neste tipo de leituras não vai em expedientes desta natureza. No entanto, tal como tanta gente, também gosto de uma ou outra especulação de menor monta, daquelas que nem aquecem nem arrefecem, ou não soubesse eu, que não tenho calor nem frio suficientes para tanto.
Falar de um inferno cheio de santos só pode ser uma coisa muito séria senão, nunca se poderia dizer tamanho disparate, principalmente, para quem acredita mesmo na santidade que só pode encontrar-se no céu, ou na terra a caminho do céu. Pois, muito a sério, é destes últimos que estou a lembrar-me neste preciso momento.
Verdade, verdadinha, tenho no pensamento os muitos santinhos que pululam no nosso santificado país, todos aqueles, e são mesmo muitos, que se distinguem por ter uma verdade clara e insofismável de tudo o que aqui acontece, remetendo para a condenação aos quintos dos infernos, todos aqueles que cometeram ou cometem uns ‘pecaditos’ que os santinhos nunca cometeram, nem sequer em pensamento.
Por outro lado, este país, o nosso, está transformado num verdadeiro inferno, onde já ninguém reza sequer, pelas alminhas perdidas, de forma a tirá-las do purgatório. Confesso que não sei onde ele está situado, supondo que, segundo a lógica, estará a meio caminho, entre o céu e o inferno verdadeiros, algures onde a gente não o descortina.
Mas, o que descortinamos perfeitamente, é este inferno onde vivemos agora, pois andamos no meio dele, por entre as suas labaredas, os seus incendiários, os seus diabinhos e, claro está, toda a gama de santinhos que não sei bem se já constituirão a maioria dos habitantes do nosso inferno ou seja, serem mais os santinhos que os diabinhos.
Ora aqui é que está a verdade nua e crua. Como é possível haver tantos santinhos num meio tão hostil como é este inferno. Como é que eles conseguem resistir a esta tentação constituída pelos diabinhos perversos e de mau feitio, que nem a catequização dos santinhos consegue amenizar.
Segundo a opinião abalizada de santinhos mais sabidos, há uns tantos diabinhos mais arrebitados que, por alta traição e em obediência aos princípios diabólicos da sua natureza, conseguem catequizar alguns santinhos que, assim, perdem todas as possibilidades de ascenderem um dia ao reino dos céus. E aqui, no país, são repelentes traidores à santidade.
Eis pois, um inferno cheio de santos dispostos a tudo para, na incerteza de virem a conquistar o céu, receando as injustiças de um chaveiro chamado Pedro, que consideram parcial e comprável, querem garantir que este inferno onde vivem agora, seja um lugar certo e seguro, que sirva de alternativa ao verdadeiro céu e purgatório.
Tenho plena consciência que é muito difícil entender toda esta confusão de diabinhos e santinhos. Mas, não menos difícil é entender como pode este país ter tantos santinhos dedicados exclusivamente à pregação, sabendo de antemão que este inferno já está cego, surdo e mudo.
Daí que se oiça já falar de país condenado, como se um inferno pudesse ser, assim, condenado do pé para a mão, só porque há muita dificuldade em condenar os diabinhos, porque não se dão por culpados mas, como é óbvio, também ninguém se atreve a condenar os santinhos, cujas orações são feitas em português, língua desconhecida no outro inferno.
É caso para dizer amargamente, ou alegremente, ora valha-nos Deus!...