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afonsonunes

afonsonunes

14 Fev, 2010

Duas boas ideias

 

Boas digo eu, que não tenho lá grande habilidade para saber o que é bom e o que é mau. Provavelmente, até vou atirar cá para fora com dois abortos pensantes que bem podiam ter ficado onde estavam, para não virem a criar qualquer incómodo a quem não gosta de ler coisas mais ou menos chatas no seu elevado critério.
Porém, como o meu critério é mesmo baixo, não me dispenso de descarregar este vício que tenho, de não ser capaz de estar quieto e calado, acomodado com os critérios dos outros, uns à altura de me inspirarem a fazer melhor do que sei e posso, outros à baixeza a que eu nunca seria capaz de descer.
A primeira ideia que hoje me veio à mona, ainda mais cabeluda que lisa, foi um pensamento pouco iluminado, que me soprou ao ouvido, que a independência não é aquilo que dizemos que os outros não têm, mas sim aquilo que conseguirmos fazer com essa independência.
Não sei porquê, mas achei que valia a pena pensar um pouquinho nisto. Claro que estou a falar de mim próprio, já que não tenho dúvidas de que toda a gente já pensou nisso demasiadas vezes, e há muito tempo. Eu é que ando sempre um pouco retardado no tempo e só agora reparo que todas as pessoas são completamente independentes. Sem dúvida.
Realmente, no lado oposto estou eu, que penso muitas vezes, e até já o tenho dito, que há pessoas que não têm independência suficiente para dizer ou escrever certas coisas, que até me fazem um pouco de dor de barriga. Acabo de concluir que a minha dor de barriga, que não tem consequências intestinais, bem podia ir para outro lado, porque eu não a mereço.
Quanto ao que consigo fazer com a independência que julgo ter, já reparei que também sou um pouco diferente dos outros que analisei. Já consigo resistir à tentação de ler, ver e ouvir tudo o que eles me querem dar, para que a minha independência não seja abalada pelo contacto com ondas demasiado dependentes.
A segunda ideia é um pouco mais intestinal que a primeira, já que tem um pouco que ver com o fim daquela linha. Já me apercebi que, com a malfadada crise a condicionar tudo o que é despesismo individual e colectivo, há uma tendência que alastra no sentido de se cortar com despesas que, voltando a tempos há muito idos, se poupa mais uns euros por mês.
Peço que me perdoem, mas vou ao papel higiénico, esse artigo que se tornou numa despesa inevitável, desde que, mesmo no país profundo, começou a haver casas de banho. Pois bem, já me constou que há quem esteja a proceder à substituição sistemática do papel higiénico, procurando alternativas para essa matéria que já parecia insubstituível.
Por outro lado, também me venho apercebendo que grande parte dos jornais postos nas bancas não se vende, tendência que cada vez mais parece acentuar-se. Estou farto de meditar sobre a origem deste fenómeno e, nada. Já me lembrei de propor que se fizesse um estudo profundo para descobrir essa estranha causa.
O que é facto é que, o jornal para ler é, mais coisa menos coisa, para ir esquecendo, ou muito terá que se ir mudando no que está. Por exemplo, as rotativas passarem a estar instaladas nos tribunais, por uma questão de eficácia e rapidez, depois de os seus comandos operacionais passarem a participar na elaboração das sentenças.
Será apenas um pequeno passo mais, pois se já investigam mais e melhor que a justiça, justo é também que levem a missão até ao fim, julgando, condenando ou absolvendo, consoante as suas tiradas investigacionais. Desde que o façam sem as demoras actuais dos senhores que nunca mais se despacham.
Como já alguém alvitrou que se acabe com os tribunais, em alternativa, podiam transferir-se para as redacções dos jornais, fazendo o mesmo efeito do proposto anteriormente. Isto, caso se queira manter a utilidade e a subsistência do jornal, nos termos tradicionais.
Caso contrário, quem quer poupar no papel higiénico, terá tendência para procurar jornais que ninguém comprou. Porque, já ouvi dizer que são estes não leitores que elegem os governantes e não aqueles que ainda lêem o jornal.