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afonsonunes

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15 Fev, 2010

O Pedrinho, não!

 

Acaba de ser desferida a machadada final na minha capacidade de aceitar as coisas que andam nas páginas dos jornais e, de algum modo, nas bocas de quem os lê. Então eu alguma vez podia acreditar que o Pedrinho, um homem tão aberto, que tanto gosta de mostrar o sorriso e as duas faces, aparecia agora com uma face oculta?
Definitivamente, não. Ainda por cima, envolvido numa manobra contranatura, pois toda a gente sabe que ele milita num partido que nunca se viu envolvido em maroscas de qualquer espécie. Mas é que nem me falem na possibilidade do Pedrinho ser denunciado pelos mesmos investigadores que costumam investigar os do partido rival.
Tal possibilidade transformar-se-ia numa mancha inapagável nos pergaminhos impolutos da instituição que abrisse tal precedente, e estou plenamente convencido de que constituiria um terramoto, que poria em causa a sobrevivência do próprio país. Uma coisa é termos necessidade de umas polémicas diárias ou semanais, outra é beliscar, assim, as duas faces visíveis do Pedrinho.
Ora imagine-se que a seguir ao Pedrinho, iam ao aliado natural do seu partido e descobriam que lá também andava alguém com uma face oculta? Sim, por exemplo o Paulinho, já que estão a pôr só maiorais a competir com as faces da lua. Suponho que tal barbaridade, nunca seria perdoável a quem cometesse tamanha gafe, lá para os lados de Aveiro.
E Aveiro porquê? Porque quando o Pedrinho morava na Figueira, dizem que ia quase todos os dias a Aveiro jogar uma partida de póquer com os amigos, tudo gente muito influente e dada a observar todos os eclipses e outros fenómenos relacionados com as faces, ou as fases, já estou baralhado, do satélite que recebe a luz do planeta Sol.
Parece que um desses amigos tinha um nome pouco nobre, Gordinho, mas de alto peso na sociedade e na ria, embora nessa altura estivesse bem menos gordinho em termos de influência astral no que respeita à face da dita, quando está num daqueles quartos, em que só se vê metade.
Até parece que estou a escrever uma crónica para incriminar o Pedrinho. Nada disso. O Pedrinho, para mim, só pode andar nestas andanças, por qualquer equívoco de alguém que não sabe como estas coisas giram. E muito menos como estas coisas têm girado. É que não é possível haver o mais pequeno indício de que isso foi, ou é, alguma coisa com ele.
Além disso, basta verificar há quanto tempo o Pedrinho não vai a Aveiro, nem sequer para um passeio na ria, quanto mais para jogar uma das passadas partidas de póquer. Mas os amigos, esses continuam lá, o que apenas quer dizer que nunca o meteriam nesses lençóis, pois nunca o tratariam do mesmo modo que certos lisboetas que nunca foram a Aveiro jogar póquer.
O Pedrinho já não está na Figueira há que tempos, e embora voltasse a ser lisboeta como os outros tais, está-se mesmo a ver que não tem nada a ver com eles. Tem um sentido muito diferente da vida. Nunca gostou de receber aquelas prendas que só servem para criar ruído, sem que se sinta a diferença na carteira.
Sim, é preciso ser prático e dar valor, apenas e só, àquilo que realmente tem um valor mercantil, porque o outro valor não tem cotação no bolso. E o bolso do Pedrinho não vai em caixinhas de qualquer coisa. Isso também quer dizer que tem os bolsos pequenos, mas tem uma carteira grande, realmente à sua dimensão.
Por tudo isso, deixem lá o Pedrinho em paz. Nada de primeiras páginas, nada de encher telejornais, nada de lhe arranjarem uma data de epitáfios daqueles que fariam corar as faces das muitas fãs que dizem que tem. Ele não merece isso, por favor.