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afonsonunes

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16 Fev, 2010

Ninguém leva a mal

 

Claro que ninguém leva a mal, seja o que for e seja em que dia do ano tal acontecer. Se fosse preciso justificar essa ideia, bastava dizer que há por aí uns tantos medricas empregados que andam cheios de medo de perder os empregos, e uns tantos empresários falidos com medo que tenham de fechar as portas.
Naturalmente que isto causa medo, muito medo mesmo, mas fica provado à evidência que todos eles têm liberdade de ter medo, de dizerem que têm medo, de dizerem que há um plano para lhes tirar o medo que eles não querem perder de forma alguma, porque sabem que se perderem o medo, quem fica a chorar é o sujeito com mais medo deste país.
Como hoje é dia de Carnaval também eu estou, neste dia festivo, sem medo nenhum que me venham chatear por dizer umas coisas completamente acertadas. As outras coisas, as que são completamente desacertadas, foram-me saindo ao longo do ano inteiro, com os problemas inerentes a quem não acerta uma para a caixa.
Portanto, aproveitando a originalidade deste dia, lembrei-me de adaptar umas personagens da Gabriela, a esta novela que estamos a viver aqui. Não é que isto tenha graça, como convinha neste dia de Carnaval, mas é o melhor que posso arranjar, depois da chuva que cai lá fora me ter impedido de ver um corso alegre, gracioso e fresquinho, mas cheio de calor corporal.   
O nosso Sinhozinho Malta não saiu hoje de Belém, porque a confusão que vai lá fora ia obrigá-lo a sacar do pistolão e disparar para o ar sem ninguém perceber porquê. Ninguém iria incomodá-lo por isso, mas receava que alguém julgasse que ele estava em algum acerto de contas no Bataclã.
Além disso, tinha os jagunços privativos todos de folga, impedidos portanto de acudir a qualquer desacato entre os amigos de Sócrates e os coronéis do Sinhozinho, que dão pelo nome de Manuela, Paulo, Jerónimo e Francisco. É que, quando se juntam todos no Bataclã, é um reviralho de todo o tamanho, por causa do chamado plano das Manuelas ou também chamado plano Sócrates.
Agora até eu já estou a confundir o plano da Gabriela com o das Manuelas, mas faz-me cá uma confusão dos diabos como é que o Sinhozinho Malta ainda não arranjou um plano alternativo para impor a ordem no Bataclã. Ai que saudades que eu tenho do Jorge Amado. Se ele estivesse aqui, alterava um capítulo e pronto. Assunto arrumado.
Mas, como ele cá não está, altero eu o nome dos personagens, até porque já não me lembro dos nomes que Amado lhes pôs no seu tempo. Porém, lembro-me perfeitamente, que Sócrates tinha os seus planos secretos, segundo os coronéis, mas tinha de os mandar executar a uns cabos de ordens, que estavam obrigados a encornar os patrões para os executarem.
Sim, porque sem os encornados, não havia forma de cumprir o plano das Manuelas e a que os coronéis chamavam de plano Sócrates.
Se eu levasse à letra o argumento da Gabriela, diria que os patrões, ou encornados, tinham de ser os jagunços desta novela, pois seriam eles a fazer a vontade ao Sócrates, executando o seu plano, ou seja, o também considerado plano das Manuelas.
Resumindo, Sócrates seria o mandante do crime, as Manuelas e os Coronéis, seriam os denunciantes, enquanto os encornados seriam os jagunços.
Depois, o Sinhozinho Malta diz que só fala da Gabriela, do marido das frutas e da Jerusa, porque é tudo gente boa. Mas, cá para mim, ele devia explicar como é que o mandante não viu que, sem os encornados, o seu crime seria um fracasso, porque são os jagunços que terminam os planos.
E os encornados, ou jagunços, não sabiam de nada. Isto, só no Carnaval.