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afonsonunes

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No meu modesto entendimento vivemos uma época fértil em cambadas, que não só se perturbam umas às outras, como infestam o ambiente já de si tão poluído, por causas que têm a ver com uma outra espécie de cambada, mais voltada para a atmosfera. Mas vamos deixar esta em paz e sossego, por agora.
Neste preciso momento estou a pensar em tanta coisa que só me vêm à memória as muitas infantilidades que gente mais ou menos crescida anda a espalhar por aí, como se quisesse fazer uma sementeira de cambas, no convencimento de que assim, formavam uma cambada perfeita, uma cambada como deve ser.
Porém, isso não é assim tão directo e muito menos com derivações de vou ali já volto. Ainda pensei em gente ligada a tanta coisa, julgando ir lá por esse derivado para chegar à cambada propriamente dita. Mas qual quê. Comecei a entrar na política, depois passei para a política e, definitivamente, cheguei à política. É verdade, encontrei política em tudo e em todos, embora muitos desses políticos armassem em anjinhos, jurando por Deus a toda a hora.
Uma cambada caracteriza-se por ser uma data de pessoas, também podiam ser coisas, enfileiradas numa corrente, de metal ou cordel, ou até de opinião, penduradas ou amarradas, de forma a constituírem uma forte massa unida e impressionante, relativamente à pressão, quer física, quer mental ou intelectual.
Quero dizer com essa descrição tão complicada, que as cambadas andam, por natureza, enfiadas e penduradas, algumas a merecer um cordão, ou uma corda, para se auto-pendurarem, tendo em vista a sua própria comodidade. A não ser que se pendurem umas nas outras, mas isso já é divagar um pouco.
Com mais conversa menos conversa, o que é indesmentível é a existência de uma cambada muito citada em tudo o que emite opinião ou simples falatório, chegando a afirmar-se que o país está mesmo ao dispor dessa cambada, como se ela fosse constituída pela generalidade do pessoal que o integra.
Obviamente que quem fala nela, na cambada, não considera, nem de longe nem de perto, fazer parte dela. A cambada são os outros, todos aqueles que pensam que lhes lixam a vida, ou lhes azucrinam os ouvidos com aquilo que não gostam de ouvir. Os outros, são sempre os outros, os envolvidos nesta eterna mania, perdão, mau hábito, dos que gostam de assobiar para o lado.     
Mas, a minha cambada não é tua cambada. Porque aqueles a quem eu atribuo essa brilhante insígnia nominativa, consideram que eu, e quem está de acordo comigo, constituem a verdadeira cambada. Ora, de uma maneira ou de outra, não há como fugir à ideia de que o país está mesmo ocupado por cambadas de sinais diversos.
Está generalizada a ideia de que a cambada é quem está lá em cima, seja no público seja no privado, também aqui, com integrantes ilustres a serem divididos por boas e más cambadas, consoante a apreciação das cambadas cá de baixo.
Isto é tudo uma cambada, digo eu, parafraseando vozes que ouvimos com muita frequência. Se é tudo, lá está o próprio a incluir-se, embora me pareça que talvez seja injusto misturar na sua cambada, muitos daqueles em quem está a pensar no momento do desabafo. E quem assim desabafa está, com certeza, a sobre valorizar a cambada de que faz parte.
Pegando nas palavras de uma canção do Herman, é com muita convicção que canto com a minha voz cheia de fífias, mas com o micro gaitas no máximo, lá desafino, vamos lá cambada, todos à molhada, que isto aqui é Portugal!...