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afonsonunes

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Que ninguém pense que sou eu que vou brincar aos partidos, apesar de não ter nenhum para brincar mesmo que quisesse, pois tenho plena consciência de que se trata de brinquedos com alto teor de veneno logo, bastante perigosos. Mas, não é por nada disso que não brinco com coisas dessas. É simplesmente porque não me apetece ou apenas porque não quero.
Quem não quer brincar aos partidos é o doutor Alberto João Jardim, segundo afirmou a Judite de Sousa na Grande Entrevista transmitida directamente da Madeira. Segundo ouvi, acrescentou que não tem vagar, pois o trabalho que tem pela frente é de molde a não perder tempo com essas coisas.
Antes de prosseguir, a minha solidariedade para com ele e todos os madeirenses, tão brutalmente atingidos pela tragédia.
Nunca fui um admirador das teorias do doutor Alberto. Mas, do pouco que lhe ouvi agora e, sobretudo, da sua atitude nesta entrevista, apreciei a sua capacidade de conter os entusiasmos jornalísticos de Judite de Sousa que, profissionalmente, só pelo que deve ter aprendido com ele, já valeu a pena ter ido à Madeira.
Também eu aprendi hoje, ao ouvir o doutor Alberto, que a Madeira não é o continente, nem pouco mais ou menos, porque ali não há bagunça na oratória, nem é qualquer um ou uma, que o interrompe quando ele fala, ou lhe prega responsos, para os quais ele diz que não tem paciência. Para ele, entrevista não é julgamento, nem sequer debate ou discussão a dois.
Aprendi que a paciência do doutor Alberto é muito mais importante que a necessidade mórbida de fazer várias vezes as mesmas perguntas, embora de maneira diferente porque, sem paciência, ele não as deixa completar logo, nem sequer lhes dá resposta, como ele entende que merecem.
E, estranhamente, ninguém diz que ele é inconveniente, ou que é arrogante, ou que tem razões obscuras para não aturar certos jornalistas do continente. Esclareço que o facto de eu dizer estranhamente, não tem nada de estranho, porque isso se deve exclusivamente ao facto de não me ter ocorrido outro termo mais adequado.
Também aprendi hoje que o facto de muita gente ter um partido, não quer dizer que perca tempo com tudo o que de lá vem. Sim, porque o doutor Alberto deixou bem claro que só tem um partido, porque é com ele que consegue fazer aquilo que lhe compete e que nem sempre o que diz o partido é o que interessa à Madeira. Nesse caso, a Madeira quer que o partido vá pregar para outra freguesia, digo eu.
Aprendi ainda que a Madeira, ilha de flores e de turismo, é a terra de amizades surpreendentes, mesmo depois de ódios incendiados. Também nesse aspecto, nunca é tarde para se aprender, que depois da tormenta vem a bonança. Que depois de um coice da natureza, é mais fácil aos homens apertarem as mãos em nome da solidariedade.
Em boa verdade, não me custa nada acreditar que estamos sempre a aprender qualquer coisa, principalmente, se não estivermos obcecados em andar a brincar aos partidos.