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afonsonunes

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Faz de conta que eu sou o presidente dos vendedores de fruta.  
Em primeiro lugar, teria de fazer um complexo estudo de mercado para decidir onde fazer o abastecimento dos meus armazéns. Sim, porque para vender, é preciso comprar muito bem, senão lá se vai o sucesso do negócio.
Em segundo lugar, há que decidir a quem vai comprar-se a fruta. Analisada a qualidade e preço, começa-se por escolher a origem das diversas espécies. A fruta tropical tem uma enormidade de preferentes, daí que o Brasil esteja no topo das preferências em Portugal. Eu, como presidente dos vendedores, não seria diferente dos outros. Sim, porque eu seria um presidente democrata, que ainda iria pelas decisões maioritárias. Tanto a comprar como a vender.
Em terceiro lugar, compete-me aconselhar os meus clientes compradores. É o que eu faço. Digo-lhes que a fruta deve ser consumida de noite, em ambientes calmos, um bom hotel, por exemplo, por gente responsável por grandes decisões, especialmente no dia seguinte, de tarde, depois de uma boa soneca de manhã, a seguir ao consumo da fruta. Este repouso é essencial à mentalização para uma boa decisão, após o esforço gigantesco do consumo.
Agora, faz de conta que eu sou presidente da “fuderação”. Quero lá saber quem vende ou compra a fruta que eu como. A minha fruta é de qualidade superior, até porque a como normalmente no estrangeiro, onde dizem que tudo é melhor que cá. E eu que o diga. Até a fruta tropical, é mais tropical lá que cá. E a fruta do leste, então, é um espanto. Ainda querem que eu acabe com o negócio da fruta. Eu é que não sou parvo, como eles, é claro. Sou presidente.
Também, já agora, faz de conta que eu era presidente da injustiça da tal fuderação. Esclareço que não tenho nada a ver com o presidente da organização, até porque não quero saber de fruta nenhuma, apesar de estar de acordo que eles comprem, vendam, consumam o que quiserem. Vivemos em democracia e não há lei nenhuma que proíba a democracia da fruta. Agora, que fique bem claro. Toda a injustiça da fruta é da minha exclusiva competência. Mais nada.
Finalmente, faz de conta que eu sou o presidente de todos os presidentes. Caramba, sinto mesmo que sou importante. Mas o que é que eu ganho com isso? Quanto a fruta, não posso ir além da sobremesa caseira, depois da refeição, em casa, e muito bem vigiado. Quando abro a boca para mandar uns recados aos outros presidentes, dizem-me logo que as minhas competências não vão além de me manter calado, para cumprir e fazer cumprir a ordem estabelecida pelos outros presidentes. Para mim, confesso que é uma frustração. Já estou arrependido porque me meti nisto. Mas juro, que no fim do mandato, vou candidatar-me a secretário de uma qualquer fuderação.
Aí, sim, tenho a certeza que vou ser muito feliz.