Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Tudo começou sob o signo dos quatro anos de um mandato, em que se ficou a saber que, em lugar de três, havia quatro beligerantes nas corridas eleitorais que eu diviso no horizonte alaranjado, nestes dias em que a meteorologia nos incomoda com as suas previsões de céu muito nublado, ainda que, por enquanto, por nuvens muito altas ou nevoeiro muito baixo.
 Aparentemente, um dos candidatos começou a campanha ilegalmente, já que entrou no recinto da corrida sem ter adquirido o respectivo bilhete de entrada ou, em alternativa, não ter requisitado o certificado de concorrente. Depois, também errou, ao escolher entrar na corrida que não lhe diz respeito, apenas com o intuito de fazer sobressair a corrida na qual vai entrar, mas sobre a qual ainda não reflectiu um único minuto.
Os outros três candidatos também não estão isentos de uma certa ilegalidade, dado que entraram numa corrida, cujas inscrições ainda não abriram. Aliás, só um dos três poderá vir a entrar nessa corrida ou seja, apenas o vencedor desta pré-eliminatória terá acesso à corrida que ainda não se sabe se é daqui a uns meses ou daqui a uns anos.
Mas, a campanha para esta pré-eliminatória, passou-se sempre e só, à volta de quem nela não entrou, nem podia entrar, tal como o quarto candidato, ambos artistas cabeças de cartaz de um espectáculo que lhes não dizia respeito. Um, que se assumiu como interveniente activo ao lado dos três, e como interveniente passivo, em relação ao sujeito também passivo, que nada tem a ver com isto.
Os três candidatos activos desta beligerância que começa a decidir-se hoje, sábado, dia treze de Março de dois mil e dez, são uma espécie de desejados por poucos e pouco amados por muitos, tendo em conta que o verdadeiramente desejado se encolheu, embora não tenha ficado em casa, enquanto os seus indefectíveis, ou não lhe seguiram o exemplo, ou foram ao espectáculo completamente contrariados.
Já o quarto candidato, que ainda tem um longo ano para reflectir, na certeza de que vai mesmo, está hoje muito atento, como sempre, a tudo e a todos aqueles que contribuam para que o espectáculo do próximo ano, o seu, seja aquilo que os seus planos já reflectem, mas que a falta de uma cómica decisão familiar ainda esconde.
Este sábado não será um dia qualquer para estes três candidatos, não só porque dará indicações muito seguras sobre qual deles vai ter de inventar novas fórmulas verbais de ataques guerreiros a quem ainda não é candidato a nada, como vai ter a grande responsabilidade de vir a ser o fiel intérprete da vontade do candidato do próximo ano.
Mas, este sábado promete ser também um dia de muitos contrastes e de muitas reclamações, antes do seu início mas, sobretudo, depois de se terem fechado as portas com muitos discursos no bolso, que dele não chegarão a sair. Não será por falta de liberdade de expressão, mas talvez por falta de expressão da liberdade de ler discursos.
Seguramente, como já ouvi dizer com um misto de esperança e de ódio, serão três gajos porreiros a estar em confronto entre si mas, e esta é a grande virtude que lhe reconhece muita gente, serão três irmãos de sangue, mesmo sanguinários, muito unidos contra um perigoso sacana sem lei.   
Ali ao lado, o quarto e próximo candidato, revolvendo e remexendo a língua devido à boca seca, ainda conseguirá movê-la para informar que não pode dizer nada mas, como sempre, dirá o que pensa mentalmente, no interesse dos seus portugueses.