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afonsonunes

afonsonunes

19 Mar, 2010

Que dia é hoje?

 

Para muitos, hoje é o dia seguinte à vitória do Benfica em Marselha, enquanto para outros ainda é dia de azia, tanto por causa dos anjinhos desses franceses de ontem, como por causa da desilusão de Alvalade e, sobretudo, por não terem podido dar uma boa sova nas costas do traidor Simão.
Pois, mas isso não é lá grande motivo para ser o dia da boa e da má bola, que foi ontem, nem tão pouco para ser o dia do PEC, que ainda está para vir, com todas as prendas que acabará por entregar na devida oportunidade. Estou certo que muitos portugueses estão mesmo muito ansiosos para que ele chegue, na expectativa de se verem livres definitivamente do perigoso stress em que andam enrolados de há uns tempos para cá.
Também não se pode dizer que hoje é dia do BPN, na medida em que ainda falta que nos digam muita coisa sobre os que também eram mas, agora, devem ter sido ocultados sob o manto diáfano da serena seriedade de algum amigo que nem sequer é dos malandros que estão na ordem do dia há que séculos. 
Também não é dia nacional da investigação, porque os investigadores resolveram investigar-se uns aos outros, na esperança de que consigam descobrir o raio da folha que não estava na folha de serviço de nenhum deles. Mas, o mais esquisito, é andarem tantos fora da folha de serviço, há tanto tempo, e nunca se tinham lembrado de se voltarem para esse lado, que é o lado oculto da questão.
Ainda me lembrei que hoje talvez pudesse ser o dia nacional da adopção, porque ouvi na rádio que um conhecido dirigente lá de ´chima’, da bola, pois do que é que havia de ser, resolveu adoptar uma miúda de vinte e três anos, bonita idade para uma adopção feliz, acrescentando eu, que nem sequer teve de esperar o tempo de adaptação, que as adopções de miúdos e miúdas levam com a burocracia.
Talvez não fosse má ideia comemorar hoje o dia nacional da ética, apesar de ninguém conseguir encontrar a mais pequena pista que indique, ainda que por pequenos indícios, por onde é que ela se terá sumido, sem deixar rasto no meio de tantos e tantas ‘eticeteras’ do nosso meio onde, politicamente, ela devia emergir como o sol da primavera que aí vem.
No dia de hoje, ainda não consegui ver um sinalzinho que se veja, de que seja o dia de qualquer um dos santos, Passos, Rangel, Aguiar ou Castanheira, tanto mais que já hoje ouvi um deles anunciar uma grande surpresa para o dia vinte seis, dia em que não poderá ser o seu dia, pois a data já está ocupada com o dia nacional da pobreza de espírito.
Como está bem de ver, não é o dia da oposição toda, pois o período fértil comum está muito perto, mas a calmaria destes dias próximos passados, deixa antever para os dias próximos futuros a marcação do dia D que será, finalmente, o dia da derrocada que se prevê comemorado com bombos e pandeiretas de todos os tamanhos.
Mas hoje também não é o dia do governo, até porque chove por todos os lados. Ora o governo, no seu dia, exige a S. Pedro um dia de sol, um dia luminoso, como a sua cara, como o seu passado, como será o seu futuro, que só não será de quatro anos, se lhe não der na veneta de ir pregar para outra galáxia.   
Sinceramente, já pensei em tantas hipóteses de comemoração para o dia de hoje, dezanove de Março, que resolvi dar por finda esta pesquisa infrutífera ao meu memorial desconfigurado, mas inconformado com tantos acontecimentos que bem mereciam ser hoje comemorados. Ah, agora me lembra mais um.
Ora digam lá se hoje não era um bom dia para se comemorar o dia dos filhos e das filhas que todos os anos se esquecem que têm um pai. Ou, em alternativa, podia comemorar-se o dia nacional do esquecimento, que é um dia em que muitos portugueses ganhariam um novo alento e muito ânimo para enfrentar o futuro.
Com todo este arrazoado lá me esqueci que dia é hoje, afinal.