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afonsonunes

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10 Set, 2008

Montes de trabalhos

O trabalho é imprescindível para toda a gente, mesmo que haja quem nunca soube o que isso é. Parece uma contradição mas não é. Simplesmente, porque aqueles que nunca trabalharam, vivem à custa de quem trabalha.

É verdade que não fazer nada em concreto, também dá muito trabalho, isto é, pode ser uma trabalheira dos diabos, inventar maneiras de convencer os que trabalham a dividir com eles o fruto do seu esforço laboral. É por isso que o trabalho é muito complicado, principalmente, para quem não faz nada.                                               
Andar de mãos a abanar tem a vantagem de não criar calos, para além de não ter nenhum compromisso com a cama onde dorme, podendo até mantê-la ocupada por tempo indeterminado, contrariamente a quem tem todos os minutos contados para ter as costas na horizontal.
Quando vemos um grupo de trabalhadores que dizem estar a trabalhar em equipa, o que nos chama desde logo a atenção, é que uns fazem força, enquanto os outros impam. Não raras vezes são vários a impar e apenas um a fazer força, mostrando como se pratica a coesão de uma equipa de trabalho. Não é difícil verificar que ali não há equipa nenhuma, mas apenas alguns mandriões a olhar para um trabalhador, acomodado à sua sorte de dar cobertura laboral ao grupo que o observa.
No trabalho, como em tudo na vida, há umas tantas palavras que definem bem o estado das coisas, das mais simples às mais complicadas. Uma delas é a seriedade. Onde ela faltar, e falta muitas vezes, não há trabalho que dê frutos, nem trabalhadores que se sintam motivados.
Em muitos casos, especialmente em serviços públicos, a classe dirigente é manifestamente incompetente, com a agravante de ser arrogante e altiva, seleccionada exclusivamente por critérios de interesses pessoais dos seus superiores. Quem nunca soube trabalhar, nunca poderá ser um bom orientador de trabalhadores pois, a toda a hora, apenas dará exemplos de como se não deve trabalhar. Os resultados, como é óbvio, são um desastre, como facilmente se compreende ao transpor a porta de entrada de vários serviços públicos, onde se apregoa muito trabalho que, na realidade, muito é apenas o que está por fazer, pois é muito pouco aquele que se realiza no dia a dia e, muito menos ainda, aquele que devia ser realizado diariamente.
Essa é a razão porque muitos trabalhadores se queixam que já não têm espaço para acomodar as rimas de papéis que enchem os locais onde eles dificilmente se metem. Na verdade, não são os papéis que estão ali a mais. Normalmente, bastaria tirar dali o chefe e substitui-lo por um bom orientador.
É que muitos chefes ganham demais e trabalham de menos.