Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

20 Mar, 2010

Meio desemprego

 

Há quem diga que cerca de metade dos desempregados nunca estiveram disponíveis para mexer uma palha, o que quer dizer que esses inactivos contumazes nunca deveriam contar para os números que são fornecidos sobre a situação do desemprego, uma vez que eles querem tudo, menos trabalhar.
Por outro lado, cerca de metade dos trabalhadores no activo, com emprego certo e garantido, também querem tudo menos trabalhar, estando entre as suas preferências, as intermináveis discussões de quem faz mais e ganha menos ou, o que é mais frequente, quem ganha mais e faz muito menos, se é que faz alguma coisa.
Daqui se conclui que, se tivéssemos possibilidade de meter os cinquenta por cento de desempregados que querem trabalhar, no lugar dos cinquenta por cento de empregados no activo que não querem trabalhar, o país ficaria com cem por cento de trabalhadores efectivos e activos que, realmente, se dedicavam ao trabalho com o devido interesse.
Não é difícil imaginar o que daí resultava em produtividade e qualidade para os cidadãos que tanto se queixam da eficiência dos serviços, principalmente, os públicos, por serem aqueles onde o controlo e a vigilância da execução do trabalho são muito menores, já para não falar da menor qualidade da organização das tarefas, em relação ao sector privado.
Outra maneira de reduzir os desempregados a metade, era obrigar todos aqueles que recebem subsídios sem nada lhes ser pedido em troca, a prestar tarefas do tipo de serviços cívicos em locais públicos, ainda que de mera vigilância, com o fim de esclarecer, ou prestar simples aconselhamento, tornando alguns locais públicos menos caóticos para quem os utiliza menos vezes e os desconhece.  
Como é evidente, essa simples ocupação, levaria muitos dos subsidiados a desistir desses subsídios, por vários motivos mas, principalmente, porque teriam vergonha de se exporem publicamente a ficarem conhecidos como verdadeiros vigaristas encapotados, recebendo ilegalmente aquilo que tanta falta faz a quem realmente precisa.
Sei perfeitamente que seria preferível o estado criar empregos para essas tarefas, mas também sei que não é novidade para quem sabe onde vive e como se vive, que não bastam os chavões do costume para colocar o país assente em bases sólidas que permitam sair deste atoleiro, que todos reconhecem, mas muito poucos estão disponíveis para contribuir com o seu aval, no sentido de que a situação se modifique de vez.
Isto não significa estar a pretender dar apoio ou criticar, politicamente, seja lá em quem se esteja a pensar. Significa apenas e só, que o país algum dia vai ter que cortar a direito, à esquerda ou à direita, mas em frente deixando, de uma vez por todas, as questiúnculas que nos têm mantido na cauda de quase tudo. E onde parece que há quem se sinta muito bem.
Como já se ouviu a diversas personalidades com competência, com muito mais competência que aquela que não mostram muitos dos mal intencionados, ou mal preparados, toda a gente reconhece que quase tudo está mal, mas ninguém dá um pequenino passo em frente para ajudar a melhorar alguma coisa.
Pelo contrário, vemos cada um puxando a brasa à sua sardinha, remexendo no meio das cinzas apagadas, sem se aperceber que, afinal, ali já não há brasa nenhuma. Mas, cegamente ou não, exigem que a sua sardinha apareça prontinha a ser comida, só porque têm a barriguinha a dar horas, esquecendo outras barrigas cujo relógio parou há muito tempo.
Tal como os grandes endinheirados, também os bem empregados e os mal subsidiados, não querem contribuir com absolutamente nada, para que os excluídos e os incapazes ou inválidos sem recursos, tenham uma vida decente.