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afonsonunes

afonsonunes

25 Mar, 2010

Vai ou racha

Parece que é mesmo desta que a coisa vai, só me restando saber o que é, afinal, essa coisa de que já ouvi falar várias vezes no decorrer desta véspera de sabermos se, efectivamente, essa misteriosa coisa é para ir, ou para rachar. Acho que já é tempo de acabar definitivamente com essas rachas que, em boa verdade, começam a deteriorar o ambiente e a permitir muitas infiltrações rachadas e perniciosas.

Parece que essa coisa vai consistir na consulta a uns tantos milhares de sujeitos, através da acção de carregar num botão, a fim de que, lá para a madrugada do dia seguinte se saiba quem ganhou o direito a substituir leite por chá, cerveja ou laranjada. Tudo indica que a substituição se processará com a facilidade com que se bebe uma imperial.

Isto porque o chá está mesmo fora de questão, pois já consta que não há chá preto e o chá branco não reúne um mínimo de gostos refinados que queiram enfiá-lo pela garganta abaixo. Quanto à laranjada, com promessas de mistura com umas bananas madeirenses, depois de tudo bem passado, dizem que continuará a ser uma bebida demasiado espessa, mais compatível com o prato e a colher, em lugar do tradicional copo de sumo.

Com todas as probabilidades de seguir mesmo em frente, numa madrugada de securas várias, está a cerveja, a ditosa imperial que vai, mas não racha, com tudo preparado para que, o racha tudo, se dê lá mais para diante. No entanto, nisto de rachar, quando não vai no momento, a coisa pode complicar-se com o decorrer do tempo.

Até porque ninguém acredita que, de um momento para o outro, toda a gente abandone definitivamente o chá e a laranjada, para lá do leitinho que já ficou para trás, definitivamente ou não, para começar a virar imperiais com ou sem o respectivo pires de tremoços ou o prato de camarões bem temperadinhos.

Uma coisa é o que se deita da boca para fora em momentos de pré euforia, talvez até de pré convencimento de que o poder já está no papo, outra coisa bem diferente são as pressões incontornáveis dos interesses bem disseminados e representados por constantes armadilhas que, ao contrário do que muita gente julga, não se armam apenas nos corredores do poder.

Mas, amanhã, a coisa ou vai ou racha. E a coisa é simples de mais. É apenas o resultado do acto de milhares de pressões em botões que certamente vão representar o fim da macacada que já dura há uma data de anos em que, além de leite, chá, café, laranjada e cerveja, até apareceu um castanheiro que, tudo o indica, nem vai entrar na castanha que se pode seguir ao acto, que até pode acabar com toda a gente a pedir uma imperial à maneira.

No meio de toda esta filosofia barata, como já foi dito pelo defensor do chazinho, o filósofo que se cuide, pois todas as misturas são possíveis e, embora com muitas reservas, é sempre possível bater tudo num agitado vaso misturador, esperando pelo encher das taças comemorativas do êxito e do entendimento.

O perigo maior desta operação triunfo é haver amanhã demasiada gente a optar pela imperial, a única de todas as bebidas em competição, que lá tem o seu grau alcoólico mais ou menos acentuado. Então aí, corre-se o risco real e verdadeiro de alguns excessos antes de tempo, ainda que, na ressaca, se abuse depois do café sem açúcar, ou mesmo do chazinho de cidreira, que dizem ter poderes muito digestivos.

No meu prognóstico de depois do jogo, prevejo que, como dantes, a coisa nem vai nem racha.