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afonsonunes

afonsonunes

11 Set, 2008

Imperdoável

 

 
 
Temos os melhores jogadores, daí que tenhamos a melhor equipa que ganha tudo com a facilidade que está à vista de toda a gente. Isto é o que se chama ganhar no campo, sem margem para dúvidas, para calar os que querem ganhar na secretaria, inventando desculpas ridículas para fingir que têm razão nos tribunais, onde vão fazer figuras tristes.
Acontece que nós, tal como temos a melhor equipa, também contratamos os melhores advogados estrangeiros e com eles, nunca poderíamos perder qualquer causa, face aos argumentos falsos e mal intencionados dos nossos opositores, ou melhor, dos nossos inimigos, ainda por cima representados por advogados portugueses sem categoria para questões deste nível.
Não foi há muito tempo que ouvimos qualquer coisa semelhante, largamente badalada por toda a comunicação social e festejada como acontecimento nacional, em que os melhores do mundo em tudo, aproveitaram para cobrir de ridículo quem sustentava um ponto de vista totalmente contrário.
Efectivamente, os advogados estrangeiros conseguiram iludir a questão em causa, com a conivência de alguns nacionais, especialistas em adiamentos, para permitir que, enquanto o pau vai e vem, folguem as costas. E sempre na esperança, quase certeza, de que o pau não volte mais às costas.
Porém, os infalíveis e invencíveis esqueceram-se de contratar o melhor especialista em Direito Administrativo ou, em alternativa, usarem os métodos que tão bons resultados deram com outros intervenientes no seu sistema. Ou, se tentaram usá-lo, desta feita as contas saíram furadas. Afinal, a razão estava do lado dos advogados portugueses desqualificados e não do lado dos advogados estrangeiros altamente cotados e ainda muito mais altamente compensados, integrantes de toda uma interminável equipa de invencíveis.
A isto chama-se perder a razão depois de a ter feito rolar pela lama. É que a razão não são os advogados que a fazem, ainda que tentem, e às vezes consigam, distorcer os factos que a determinam. Chocante é ver que há quem se vanglorie de ganhar causas à custa de bons advogados. Que o consigam, já é muito mau mas, pior ainda, é mostrarem os seus métodos, em lugar de os dissimularem para não parecer tão escandaloso.
Mas, também é perder em toda a linha, quando se constata que há muita gente a contribuir para as retumbantes vitórias que deviam vir exclusivamente do campo. Fica à vista de quem não for cego, aquilo que já era indisfarçável. Há muitos gabinetes, das mais diversas áreas, a marcar constantes grandes penalidades, que acabam por fabricar sempre as vitórias que pendem sempre para os mesmos invencíveis.
E, quando isso não chega, leva-se o jogo para prolongamento interminável nos tais gabinetes, para que os invencíveis nunca sejam derrotados.