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afonsonunes

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É verdade! ... É um espanto ver como as coisas mudam de um momento para o outro, mesmo depois de se terem conservado assim durante uma eternidade, do ponto de vista de quem não gosta nada dessas mesmas coisas. É verdade, repito, que se as coisas não nos agradam nunca mais nos vemos livres delas mas, pelo contrário, se elas são como mel para a nossa sopa de pão, então, deixa estar, que está bem assim.

Há coisas que deram uma reviravolta de todo o tamanho, num período de tempo tão pequenino, de uns dias apenas, quando tudo parecia encaminhado para uma continuação interminável, em que as forças ocultas pareciam protegidas por um escudo intransponível, até porque esse escudo, muito mais forte que o euro, também levava a pensar que continuaria completamente escudado entre as forças que o dominam.

Mas, vamos lá agora a essa coisa que mudou agorinha mesmo, tão subitamente como da verdade se passa para a mentira e vice-versa. Essa dita coisa é a nossa política, como não podia deixar de ser. O seu centro estratégico mudou de Inglaterra para a Alemanha num abrir e fechar de olhos.

Não sei se os olhos se fecharam na Inglaterra, mas sei que os olhos que estavam fechados na Alemanha acabam de se abrir, para ficarem esbugalhados pela crueza da investigação alemã, que despertou a sonolência reinante em Portugal. Isso, ao contrário do que aconteceu com a investigação inglesa, já adormecida há muito tempo, enquanto a portuguesa não deixava de tentar acordá-la.      

Já me constou que os bons hotéis ingleses ficaram quase vazios, dada a migração de portugueses para a Alemanha, na esperança de que possam encontrar ali, aquelas coisas que não encontraram na Inglaterra. Resultado, os hotéis alemães já têm reservas para toda a sua capacidade durante os próximos anos.

Também já me constou que o movimento de agentes dos meios de comunicação social e o produto do seu trabalho teve um incremento extraordinário na Alemanha, exactamente igual ao declínio verificado no movimento com a Inglaterra. De tal modo, que a actividade diplomática portuguesa, actualmente, se concentra quase exclusivamente na Alemanha.  

As coisas, realmente, dão tantas voltas em tão pouco tempo, que provocam autênticas obras que mais parecem de magia pura. Senão veja-se como se perdeu tanto tempo à procura de um bom negócio de sobreiros na Inglaterra, quando se podia ter ganho esse tempo a procurar um óptimo negócio de submarinos na Alemanha.

Como toda a gente sabe, vai uma grande distância de um bom negócio para um óptimo negócio. É assim como se falássemos de milhares ou de milhões. Ainda dizem que os portugueses não sabem mexer na massa. Sabem, sim senhor, embora por vezes confundam sobreiros com submarinos.

Essa confusão ainda se compreenderia se os submarinos utilizassem como combustível o óleo de bolota e como aquecimento central o bagaço resultante da extracção do dito. Porém, ao que consta, apenas a bolota inteira continua a servir para a engorda nos grandes montados, enquanto os submarinos só avançam com o combustível mais sofisticado que existe, aquele que só pode ser manuseado com luvas de muito boa qualidade.

O que mais me surpreende num submarino, ou em dois, claro, é a sua elevada estanquicidade a fugas de toda a ordem ao longo do tempo, o que me leva a pensar que tal se deve ao facto de navegar rente ao fundo do mar, com muita água por cima, o que afasta logo à partida todos os curiosos que não sabem nadar. Que devem ser muitos, pelos vistos.

Ou então, os alemães são muito mais fiáveis do que os ingleses em matéria de confidências. Aí está um assunto que os portugueses, esclarecidos como são, devem estudar com toda a profundidade, para não ficarem a ver navios.