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afonsonunes

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Certamente que o Quim Barreiros não vai levar a mal que faça uma pequena correcção a uma das suas popularíssimas canções em que ele canta os peitos da cabritinha. Confesso que não sei bem a letra dessa canção, mas ficaram-me cá a soar umas campainhas nos ouvidos por causa dos peitos da menina dos olhos dele.

Ora há aqui qualquer coisa que me não soa bem. Se fossem os peitos de uma qualquer menina que o impressionasse particularmente, eu entenderia perfeitamente, pois quem sou eu para estar imune aos monumentos que impressionam qualquer mortal, principalmente nestes dias de sol que já anunciam as quenturas que aí vêm. Mas, por que raio havia ele de se lembrar de uma cabritinha para falar de peitos?

É que esses peitos, aos pares, estão mesmo no peito mais global e corporal de qualquer ser humano do sexo feminino que, normalmente, reflecte à primeira vista, a diferença para o sexo oposto, que tem peito mas não tem peitos, malgrado, por vezes, a realidade se mostrar bastante confusa, no que toca a protuberâncias peitorais.

Mas, na realidade, o grande Quim Barreiros canta os peitos da cabritinha e não os peitos de qualquer menina. Ora, a cabritinha, falo da de quatro patinhas, claro, não tem peitos no peito, embora tenha um belo amojo ao fundo da barriga e não um pouco mais acima dela.

Sabendo que há quem goste de coisas amojudas, como o Quim parece gostar, e sabendo que ele tem um reportório um tanto malandreco, não me admiraria nada que a cabritinha dele tivesse mesmo dois peitos acima da barriguinha. Daqueles que levam muita rapaziada ao delírio, na expectativa de poder pôr-lhe os dedinhos em cima e simular uma ordenha venturosa.     

Bom, também sei que há sempre alguém mais ousado, e até mais ambicioso, que não se importaria nada de aproveitar o amojo surpreendente dos peitos da cabritinha para uma valente mamada, daquelas que bem podiam servir de almoço ou de jantar. É que a cabritinha tem uma forte sensibilidade para dar tudo o que tem lá dentro, para satisfazer os desejos mais ardentes de quem a procura com olhos ávidos de novidades, ainda que estas já tenham alvas barbas.

É por isso que os peitos da cabritinha se transformaram numa fonte inesgotável de satisfação de necessidades básicas, como a de mamar quando se tem muita sede, ainda que seja uma sede a tender para a fome. Não é fácil encontrar quem tenha esse dom maravilhoso de matar a fome e a sede a todos os esfomeados ou sequiosos, mesmo a todos aqueles que são verdadeiramente insaciáveis e devoradores de tudo o que os peitos da cabritinha geram.

É evidente que geram o leitinho matinal onde, sentados à mesa do pequeno-almoço, os olhos de certos ansiosos se espraiam mais pelo manjar que se come de boca fechada, que pelo copo do precioso leitinho, cujo conteúdo se deixa distraidamente arrefecer, principalmente, se a fome for de origem eminentemente mediática e até a tender para a visão trémula das letras que nem os melhores óculos vêem com clareza.

Claras, muito claras mesmo, são as fugas ferventes dos peitos da cabritinha, embora tenham o efeito de perturbar algumas mentes que abusam das doses do leitinho servido a uma temperatura talvez um pouco desajustada à sua real composição química. Porque os peitos são grandes e a cabritinha não está, de todo, adequada ao seu diminutivo.

A culpa não é do Quim Barreiros, ainda que seja ele a cantar as virtudes dos peitos da cabritinha, bastante favorecidos por aquela cor morenaça do sol que se apanha debaixo das luzes fortes de um gabinete de ordenha mecânica.

Porque ali, quem quiser chupar, que chupe nos dedos, porque nos peitos da cabritinha só mama quem o Quim Barreiros autorizar. Mas, quem for suficientemente perspicaz, facilmente encontrará uma cabritinha alternativa, ao sol e em público, com um amojo atractivo quanto baste, para satisfazer os menos exigentes, do ponto de vista da qualidade do leite derramado, em tudo semelhante a umas malguinhas de sopa de letras.