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afonsonunes

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12 Abr, 2010

Víboras dominadas

Acho que tudo começou muito bem lá para os lados de Carcavelos, já que ficamos a saber que não precisamos do estado para nada, logo, vamos ficar muito melhor daqui a uns dias, porque ficamos sem aquilo que o estado nos tinham anunciado há dias atrás, com o dito, maldito e famigerado PEC.

Ficarmos sem correios ainda vá lá, se de Carcavelos tiver ficado a garantia de que não nos levam os telemóveis. Sinceramente, acredito que não, a menos que considerem que eles são um perigoso instrumento de utilização na corrupção dentro do estado. Mas, se eles acabarem com o estado, os telemóveis ficam.

Aliás, essa coisa das cartas em papel já não se usa, porque o país ainda tem muita gente que não sabe ler, mas já toda a gente tem um ou mais telelés para se entreter a olhar para eles e treinar a fazer tique toque no teclado, mesmo sem falar com ninguém. Isto sai muito mais barato que gastar tinta ou esferográfica, papel e selos de correio, ainda que a saliva substitua a cola do sobrescrito.

Depois também se precisava dos correios para depositar uns euros, mas isso foi chão que deu uvas e hoje, ou não se deposita nada, porque não há pilim, ou se depositam balúrdios, mas isso não é nos correios, porque esses ainda não sabem para onde é que vale a pena mandar o cacau.

Quanto à Caixa, pois, aquela de quem dizem que caixa é banco, eu compreendo que haja quem esteja mordidinho de pressa em substituir a mina que foi o banco dos negócios. Sim, esse do milhão por uma assinatura, à noite. Pois, esse onde os amigos da mesma cor tinham uma taxa garantida por um tal de Oliveira. Agora que já deu o que tinha a dar, reclamam uma Caixa forte, recheada de notas grandes, quem sabe para vir lá um loureiro qualquer na senda dos milhões à mão de semear. Perdão, à mão de colher.

Lá que me levem a Telecão e todos os que ladram por dentro e por fora dela, isso não me impressiona minimamente, porque com telecomes ou com telebebes, eu quero é que não me tirem o telemóvel, mesmo escutado, pois quem me tira a conversa tira-me tudo, mesmo aquilo que eu nunca tive. Confesso que sempre falei pouco mas, em compensação, oiço tudo, mas mesmo tudo, ainda que seja qualquer tipo de asneiras.

Estas e outras coisas eram antes de Carcavelos. Agora, depois que dali saiu o grito de que o estado só complica e as coutadas é que facilitam, fiquei aliviado, porque esperava coisas muito piores. Sim, o fora com o estado da saúde, não me admira nada, pois eu já desconfiava que eles sabiam que eu não estava doente.

 Aliás, se estiver doente, fiquei a saber que me posso tratar em qualquer lado, de preferência em casa e, principalmente, se o seguro não quiser ou não puder tratar um teso como eu. Como o estado também vai sair das empresas, por exemplo, dos seguros, só podem entrar os que andam por aí a salvar bancos, guardando a massinha deles em casa. Só ainda não percebi porque é que o estado andou a encher os cofres que os outros esvaziaram.

Em contrapartida, estou radiante porque já vou poder mandar os meus descendentes estudantes para Oxford ou para a Brutolândia, sem pagar um cêntimo. Ainda não estou esclarecido sobre o que vão eles aprender por lá, mas não faz mal. Em Carcavelos ficou bem claro que não vai haver problema em convencer-me, a mim, e a todos os reguilas do Carcavelinhos, de que vai ser assim, e mai nada.

Agora, novidade e novidade de arromba é que, finalmente, já ouvimos de viva voz, aquilo que os profetas de Carcavelos andavam há muito tempo a congeminar. Vamos ter o privilégio de poder ajudar a salvar a continuação da boa vida dos homens e das mulheres que, em Carcavelos, conseguiram dizer que estão unidos na repartição entre eles, dos impostos que pagamos.   

Mas, com a super novidade de que, para melhor os ajudarmos, vamos ter os nossos salariosinhos e as nossas reformazitas ligeiramente diminuídos, coisa que não tem nada a ver com a malandrice de não ter havido aumentos no princípio do ano. Estou inteiramente de acordo que se reconheça o carácter justo e oportuno destas medidas, dado o consenso que tem existido entre todos os reguilas do Carcavelinhos.

É claro que se adivinha uma acalmia tranquilizante, um aumento inusitado da auto estima e da confiança de todos os felizes contribuintes perante tão justas medidas. E uma tranquilidade total de todos os empresários, que vão deixar de ser empresários públicos, onde nem podiam receber uma caixinha de bombons pelo Natal. Era uma crueldade sem nome.

Todos sabemos que o país tem sido, antes de Carcavelos, um deserto cheio de víboras à solta. Mas, isso já era. Agora, em Carcavelos, surgiu um herói que conseguiu cometer a proeza de meter todas as víboras dentro de um único saco. Sem uma única mordedura. Pois é. Temos de concordar que é obra.

Mas, porque é que ninguém se lembrou de fazer isto há mais tempo?                

 

 

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