Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

Apetecia-me dizer que são dois ‘cidadões’ portugueses com muita categoria, mas é melhor fantasiar um pouco como é hábito fazer-se em relação a cidadãos com muita notoriedade na nossa vida pública, política e futebolística. Se houver alguém que, por acaso, não se lembre deles, ou de ouvir falar neles, é melhor rever muito bem, com o devido cuidado, toda a sua vida na sociedade portuguesa.

Começo por revelar as únicas diferenças que consegui identificar entre eles. Sócrates Pinto é do Benfica, enquanto Nuno da Costa é do Porto. Aquele, não recebe absolutamente nada do clube, enquanto este, recebe muitos milhares por ano para ser o mais dedicado dos presidentes dos clubes de todas as ligas nacionais.

Agora vamos a tudo aquilo em que são muito semelhantes, talvez mesmo iguaizinhos, senão mesmo almas gémeas de um ideal de vida e de um desportivismo sem par. O mesmo se passa na política, em que ambos têm uma participação muito activa e interessada, sendo também ambos acérrimos defensores do lema, façam o que eu digo, mas não façam nada do que eu faço.

Ambos adoram ser primeiros, sendo Sócrates Pinto o primeiro de Portugal, enquanto Nuno da Costa ainda é primeiro nos pentas e nos tetras da primeira liga. Haverá quem pense que estes dados não são comparáveis, mas eu afirmo que o são, pela simples razão de que Lisboa e Porto, que cada um deles representa, também são duas cidades gémeas, iguaizinhas em tudo, cada uma com o seu rio a beijar-lhes os calcanhares.

São mesmo dois ‘cidadões’ exemplares nas suas actividades, ambos em tarefas governativas, qual delas a mais complexa, com a grande coincidência de que em ambos os casos as governações apresentam resultados altamente positivos, em que o país e o clube, salvo melhor opinião dos habituais super contra, se devem orgulhar dos excelentes resultados que não deixam margem para dúvidas sobre a eficácia dos dois gurus da alta finança.

Homens sérios e da mais alta reputação nacional e internacional, comprovada a toda a hora pelas entidades judiciais que, preventivamente, e para que as suas honras não sejam minimamente manchadas por qualquer suspeita, estão constantemente sob observação, embora isso custe os olhos da cara ao estado.

A grande maioria dos cidadãos portugueses entende que há aqui um contra censo, exactamente porque tem a correcta sensação de que, sendo duas personalidades intocáveis, é um desperdício económico-financeiro andarem a gastar balúrdios nessa observação permanente dos seus actos.   

Pergunta-se mesmo porque razão todos os inspectores que trabalham incessantemente dia e noite, para lhes seguirem os passos, durante anos a fio, com a certeza de que não lhes encontram o menor desvio, não seriam, esses inspectores, muito mais rentáveis, por exemplo, na caça aos desmemoriados das suas obrigações para com o estado.

Todos sabemos que o primeiro Sócrates Pinto e o primeiro Nuno da Costa têm apenas, em partes iguais, uns pecadilhos de gente séria, como foi o caso da Carolina de Nuno da Costa e da Manuela de Sócrates Pinto. Dois casos de amores mal sucedidos que apenas servem para ilustrar a semelhança entre estes dois primeiros, um da vida do país, o outro do clube do norte, ou seja, do Porto e arredores.

Até já me constou que, em tempos que já lá vão, enquanto a Carolina dançava, o dragão dava ao rabo, em sinal de a querer imitar, embora com muito pouco jeito. Tal qual se dizia que o benfiquista rabeava por todos os lados quando, às sextas-feiras, que nem eram dias de jogos, a Manuela manejava a língua e abria a boca em demasia, relativamente ao rodar dos olhos dentro dos limites das desmesuradas pestanas.

Como cidadão pacífico que sou, e conhecedor de que essas pequenas malfeitorias de ambos os primeiros, ainda não estão de todo sanadas, daqui faço um apelo muito sincero e generoso, para que o primeiro Sócrates Pinto deixe, definitivamente, a Manuela em paz. Que mais não seja, por solidariedade para com outro grande benfiquista que é o José Eduardo. Bom rapaz.

Do mesmo modo apelo à boa recordação dos tempos felizes de Nuno da Costa e Carolina, para que deixem de andar a caminho dos tribunais e lavem a roupa suja na máquina lá de casa. Hoje, já há detergentes que limpam tudo. E depois, era evidente que o clube não gastaria tanto dinheiro em advogados e juízes, enquanto a Carolina, não precisaria de dançar tanto para arranjar dinheiro para tantos processos.

Feliz o povo que tem pessoas em que se revê com orgulho, mesmo sabendo que ninguém é perfeito. Mas, o país está bem entregue, tal como o clube não podia estar em melhores mãos. E isto é que é fundamental. Será verdade que os trafulhas vêem trafulhice em tudo? ‘Sei, não! ...’

Conclusão: Não percam tempo com eles, porque dali não levam nada.