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afonsonunes

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16 Abr, 2010

Vulcão cinzento

O vulcão islandês parou uma boa parte da Europa com o vomitar incessante e violento de labaredas que se transformam em cinzas, as quais obrigaram a encerrar muitos aeroportos, como está estampado em toda a comunicação social. Grande transtorno para muita gente que se viu retida inesperadamente, suportando prejuízos de toda a ordem.

Até aqui nada de novo, pois já toda a gente sabia isso e eu gosto pouco de andar a copiar o que vejo, leio ou oiço por aí, até porque há muita gente mais habilidosa que eu a fazer informação. Pois, além disso nem sequer tenho a respectiva carteira e longe de mim andar a fazer concorrência desleal a alguém.    

Mas, o que eu quero é dizer que todas as calamidades podem transformar-se em oportunidades. Daí que me tenha lembrado de que era chegada a altura de dar essa oportunidade ao homem que disse que a nossa presidência da república gasta cinco vezes mais que a casa real espanhola.

Trata-se de D. Duarte, o homem que ainda mantém princípios de realeza neste país republicano. Ora, acontece que o nosso presidente está retido em Praga por causa das cinzas do vulcão e, provavelmente, até pode demorar-se por lá, deixando o país sem a sua super visão estratégica e protectora.

Além do acréscimo de despesa que não entrou nas contas do régio contabilista, falta ao país o seu comandante natural e isso não pode acontecer. Vai daí que a oportunidade é excelente para deixar que o candidato a rei assuma, neste intervalo cinzento, as rédeas do poder presidencial, para demonstrar que gasta menos cá, no país, que o presidente gasta lá, em Praga.

Trata-se de uma oportunidade única, talvez a derradeira oportunidade, para nos convencer de que o rei, sim, pode meter o país na ordem. Mas, também uma boa oportunidade para nos convencer de que ele, D. Duarte, é capaz de gastar o mesmo, ou menos ainda, que a corte real espanhola.

Se tal não acontecer, país na ordem e poupança real, bem pode o nosso sucessor ao trono deixar de matar a cabeça a fazer contas desnecessárias, porque todos os portugueses sabem perfeitamente que já temos cá muito bons gestores republicanos, que não têm, nem nunca tiveram, qualquer problema em gastar até o que não temos, quanto mais o pouco que se consegue arranjar.

Chamo desde já a atenção para o facto de não estar a sugerir um golpe de estado ou uma mudança de regime, mas apenas a fazer uma experiência inofensiva de custos e benefícios que nunca chegariam a ser sentidos por ninguém, aliás como sempre tem acontecido com tantas experiências em que o país tem sido fértil ao longo dos tempos.

Paralelamente, e aí está outra oportunidade surgida, este período serviria também para se ver a diferença entre uma cooperação estratégica republicana e uma cooperação estratégica real. Haverá já quem diga que isso é tudo a mesma coisa. Isso não é bem assim, visto que D. Duarte está muito bem informado sobre a história de Portugal e, certamente, não deixaria de lembrar o rei D. José e o seu Marquês de Pombal.

Até o nosso presidente, em Praga, não deixaria de estar permanentemente atento ao desenrolar destas cenas, ou não fosse ele um estudioso de todos os fenómenos que se vão passando por cá, quer ele esteja presente ou ausente do país.

A propósito de fenómenos, que temos às dúzias, senão aos quarteirões, aposto que já haverá alguns, muito poucos, felizmente, a dizer que estar cá ou em Praga, não faz grande diferença, tal como seria a mesma coisa se fosse D. Duarte a estar retido em Praga.

Lá está, eu que sou mais economicista, diria que não senhor, não era a mesma coisa. De certezinha que D. Duarte não teria lá tanta gente com ele. Com o inconveniente de que se sentiria com mais dificuldade em passar o tempo.

Estes vulcões pregam cada partida às pessoas…