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afonsonunes

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20 Abr, 2010

Hora e meia

É exactamente esse o tempo regulamentar que dura um qualquer encontro de futebol embora, depois, o homem do apito tenha a prerrogativa de conceder mais uns minutinhos de esperança para quem não esteja a ganhar. Mas, não é da bola que o cidadão comum enche o papo, ainda que ela lhe dê fartotes de conversa para a semana inteira.

Hoje, porém, fui programado noutra direcção. Ao ver a insistência com que se referiu o facto de um encontro muito especial de apresentação de cumprimentos ter demorado cerca de hora e meia, logo me lembrei dos encontros com tempo de compensação, lá vem a bola novamente, em que por vezes se decide o resultado final.

Sinceramente não posso afirmar que o acontecimento teve tempo de compensação, mas teve muito tempo, certamente, em que duas mãos estiveram apertadas. E ainda deve ter sobrado tempo suficiente para que esse aperto se alargasse às quatro mãos, num sinal claro de que amizade e simpatia ainda são valores vivos em determinadas circunstâncias.

Por exemplo, quando se torna necessário repensar estratégias não totalmente coincidentes, em que essa hora e meia se pode considerar tempo insuficiente, mesmo aproveitando a agilidade de quatro mãos em perfeito esforço de cumprimento de um objectivo que, devido ao tempo passado, ainda só estava no domínio de duas dessas quatro mãos.

Depois, não podemos esquecer que é corrente haver nessas cerimónias mais uns tantos amigos de ambos os lados que, no caso, são todos amigos, e se pronunciam através de pormenores que só servem para atrapalhar, esquecendo eles que, como ouvi dizer há dias, quem não atrapalhar, já está a ajudar bastante.

Daí que, ao contrário de todas as estranhezas que ouvi, no sentido de que hora e meia era tempo excessivo para se apertarem duas ou quatro mãos, não têm qualquer justificação, pois as coisas nem sempre são tão simples como parecem à primeira vista. Até porque já estamos habituados a que, em tudo, se fale demais antes do tempo.

Aliás, para todos aqueles que estranham tudo e mais alguma coisa, sugeria que experimentassem fazer qualquer coisa de útil em hora e meia. Lembrem-se que são apenas noventa minutos, que até podem dividir em duas partes de quarenta e cinco cada. Mais, se forem daqueles que lhes doem as costas, façam um intervalo de dez ou quinze minutos entre a primeira e a segunda parte.

Vão ver que não custa nada, tenho mesmo a certeza que é muito mais simples e fácil que passar o dia inteiro nesse bolorento faz que faz mas não faz, que é exactamente igual ao diz que diz mas não diz. Esqueci-me de acrescentar ao faz e ao diz aquela palavrinha simples, mas muito importante que é, nada.

A propósito, lembrei-me agora que em hora e meia de encontro de cumprimentos, também se pode sair dela com algo de palpável nas mãos, mas não acredito nessa distante e improvável hipótese, visto que os cumprimentadores sabem perfeitamente que ao apertar as mãos, não devem exagerar, isto é, não se devem magoar, por exemplo, fazendo incómodas nódoas negras nas ditas.

O tempo, que é o mais competente mestre da vida, dirá muito claramente se essa hora e meia foi, ou não, bem aproveitada.