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afonsonunes

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Ainda estou para saber se esta coisa do direito só tem que ver com o facto de ser o antagónico do esquerdo, por exemplo, quando damos ou recebemos a morada de alguém, ou mesmo a nossa. Esse direito, ou esse esquerdo, identifica-se facilmente através da mão que fica mais à mão para tocar a campainha na entrada do prédio.

O outro direito é muito mais complicado de identificar, na medida em que o direito de uns é um monte de trabalhos para outros. Isto porque ao lado deste direito mora o dever e, ao que tenho verificado, este é um mau vizinho, um vizinho que é chato para caramba, que não reconhece qualquer direito ao vizinho do lado.

Estava eu nestas deambulações chatas, mas mais ou menos filosóficas, quando me lembrei de que no final desta semana vão ficar para trás muitas discussões sobre direitos e deveres de quem anda à frente da bola e de quem corre atrás dela. Sei que é uma discussão que não dá direito a cartão amarelo nem tão pouco a vermelho directo.

Até porque o vermelho não tem direito nenhum, em primeiro lugar porque é vermelho, depois porque está um pouco mais à frente, quando faz de conta que está muito atrás, pois era esse o lugar vitalício onde os outros o queriam ver. Mas ainda porque o dever de todos estes em conjunto é lutar contra os direitos daquele.

Mesmo assim, se vier a ser campeão, o vermelho, claro, será um desfecho tão importante como ir ali abaixo de Braga, ao passo que os de cima de Braga, mesmo que fiquem a ver Braga por um canudo, serão os verdadeiros campeões, aos quais certamente serão colocadas as tradicionais faixas, tradicionalmente azuis, entregues pela autoridade papal do norte.

Autoridade papal que, na cerimónia festiva das ditas faixas azuis, lembrará mais uma vez que o quase clube do regime vermelho, levado ao colo pelo quase faz-tudo desse regime, lá conseguiu ser quase campeão, sem direito a faixas azuis, as verdadeiras faixas da glória e da autoridade futebolística nortenha e mundial.

Portanto, ainda não haverá festa em Leiria no sábado, nem tão pouco umas farturas de Penim regadas com champanhe na Feira de Verão, mas lá para a noitinha já aparecerá um ou outro folião trajando a rigor e esforçando-se por fazer de conta que está a festejar qualquer coisa que, por enquanto, é prematuro estar a anunciar.

Peço perdão aos que não gostarem das farturas, que são uma maravilha, as quais podem, e serão com certeza, substituídas pelo tradicional pão com chouriço, quentinho, feito ali, no recinto da maior feira de Leiria, onde se conta sempre com a presença milagrosa de S. Benquerença, o santo dos milagrosos resultados desportivos.

Costuma dizer-se que tudo o que é nacional é bom. Nada mais acertado. E como nós precisamos de reconhecer isso, tal como precisamos de pão para a boca. Mas, cuidado, no próximo domingo, tudo o que for do Nacional, não vai prestar para nada.

Lá estará S. Domingos, cheio de paciência para, com as mãos erguidas ao alto, exigir que S. Carlos da Luz não deixe que dali venha nada de catastrófico, do tipo de nuvem vulcânica, ou uma ‘xistralhada’ qualquer, coisas tão habituais nesta quadra de faixas escondidas nos túneis até ao apito final.     

Ou muito me engano ou vou ouvir muitas vezes a frase, ‘não há direito’, depois do fim da tarde de domingo, após todas as decisões sobre os acontecimentos que tanta poeira têm levantado. Aqui, como em outros casos, ninguém tem o dever de ficar calado. Toda a gente vai falar muito, bem e barato.

Aposto que haverá quem cante acima de Braga, mas também haverá quem tenha de ir chorar abaixo de Braga. Coisas da vida.