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afonsonunes

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11 Mai, 2010

Prendas da semana

O futebol esteve na ordem do dia e eu, como não podia deixar de ser, quero ser um dos ordeiros mor cá do sítio, mantendo-me atento, venerando e obrigado a tudo quanto seja novidade, ainda que ela venha do passado recente ou longínquo. Sim, ao contrário do que muita gente pensa, do passado longínquo também podem vir novidades.

Por exemplo, as prendas que ao longo de todos os tempos se entregavam a tudo quanto pudesse melhorar as performances das equipas, mesmo daquelas que já toda a gente sabia que eram as melhores. Eram as melhores mas, um jeitinho dava sempre um jeitão, e isso também não é novidade para ninguém desde os tempos de outras hegemonias, até à hegemonia hodierna.

Mas, quanto a antiguidades, o que lá vai, lá vai, até porque já só me lembro do que se tem passado na época que agora acabou. E, mesmo nesta, não consigo que a memória deite cá para fora um pequeno out put sequer, que me elucide de algumas prendas que, no meu entender, influenciaram muita coisa.

Por exemplo, porque razão aparece um Braga a fazer frente a um Benfica que veio do outro mundo, qual fantasma que, ainda hoje, ninguém, nem eu, conseguiu perceber como foi possível colocar-se à frente do Porto, esse monstro que até o Braga ajudou a beijar a relva quando, normalmente, devia ser um dos seus amigos habituais.

E foi-o na verdade até que viu que não adiantava nada prosseguir por aí e então, deu-se o volte face, passando o Porto a ser amigo do Braga. Esta foi, sem dúvida, uma das melhores prendas deste jogo em que, se não posso ganhar eu, ganha tu, senão ganham eles. E não sou eu que vou dizer que esta prenda não é legal.

Agora há uma prenda excepcional que o Porto já não esperava receber. Já a tinha prometido a Jardim, num acto de desespero precipitado e antecipado, que foi o título de campeão dos túneis. Afinal, na penúltima jornada, recuperou esse título com todo o mérito, precisamente nos túneis onde o dragão adormecido resolveu chispar com a artilharia pré histórica, ou seja, à pedrada, como já se recomendava nas terras de Viriato.

Também foi à pedrada que se divertiu com a festa do título nos Aliados, aí confundindo os verdadeiros festejadores, vendo azul, onde apenas havia encarnado, gritando, o Porto é nosso, como se ali houvesse mouros intrusos. 

Entretanto, outras prendas se foram transferindo, através de umas apitadelas que, normalmente, tinham como destino o Porto, começando a aparecer na cidade dos arcebispos que, ultimamente, se transformou na capital da paciência, principalmente aos domingos.

Foi assim que apareceram romeiros de outras cidades, de apito entre os lábios, como o do célebre carrasco vimaranense, tal como guarda-redes solidários de luvas ensaboadas e botas sem pitons, caso de um tal pacense infeliz que não estava nada à espera de dar nem receber prendas, mas acabou por receber uma monumental homenagem no local da escorregadela.

Entretanto, outras prendas se esperaram domingo a domingo, com paciência em crescendo, principalmente, depois de já ter sido galardoado com o título de campeão antecipado, embora virtual, auto atribuído, auto proclamado, deixando perceber um apelo veemente a que terceiros o ajudassem desesperadamente a conquistar também o outro título, o real.

Se isso viesse a acontecer, muitas mais prendas teria de despachar, se é que as não enviou antecipadamente, certo de que esses seus colaboradores de ocasião, lhe ofereceram total garantia de que arranjavam maneira de justificar as prendas que, de Braga, sairiam com muito amor.

Por um daqueles acasos totalmente imprevisíveis e absurdos, as prendas foram completamente inúteis no Domingo. Paciência… Para o ano haverá muitas mais prendas, pois os prendados cá continuarão à espera dos habituais ofertantes.

Só ainda não percebi porque razão os cartões vermelhos não são mostrados por quem pode, a todos aqueles que os merecem, como prenda pelo bom comportamento, mesmo fora dos estádios. Seria a melhor prenda que se daria ao futebol português.