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afonsonunes

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É evidente que os socráticos são menos que os outros, mas também é evidente que para efeitos de governação a corrente dos socráticos conta com a divisão dos outros em várias correntes distintas, facto que os tem impedido de chegar ao poder.

Sim, porque há essa encrenca das eleições que parece esquecida por todos aqueles que são anti-socráticos, julgando que já a seguir os seus desejos estão no papo, ou se preferirem, isto são favas contadas.

Fala-se muito de mentiras e de mentirosos, tanto do lado socrático como do lado dos outros. Neste campo da contenda os outros estão todos de acordo em que as mentiras e os mentirosos estão todos concentrados na detestável pessoa do ignominioso Sócrates.

Mas os socráticos têm outra versão da coisa. Os outros, incapazes de tirar Sócrates do poder por meios normais, agarram-se às contingências da governação neste contexto de crise, para fazerem dessas contingências um rol de mentiras de forma a convencer os socráticos a virar a casaca.

Portanto, neste vale de mentiras e de mentirosos, já se torna muito difícil saber quem mais mente e ao mesmo tempo avaliar correctamente a qualidade das mentiras de cada lado.

Uma coisa é certa. Os outros são muitos mentirosos trabalhando em equipa, para se sobreporem ao mentiroso Sócrates que é único, individual e certificado.

O mentiroso Sócrates, não sei como, tem conseguido mentir mais lá fora que cá dentro mas, curiosamente, acreditam mais nele lá fora que cá dentro. Quanto aos outros ainda não ouvi dizer nada deles lá fora. Se calhar ninguém os conhece. Ou talvez ainda não conheçam as suas boas teorias de mentiras.

Mas, o que mais estranheza me causa é o facto de haver tanta gente altamente colocada lá fora, a ir nas mentiras de Sócrates, ao ponto de tecerem rasgados elogios às suas medidas. Só podem ser socráticos disfarçados ou, quem sabe, bem recompensados pelos elogios.  

Se assim é, não sei onde vai ele arranjar tantas capacidades internas e externas para ter uma corrente tão forte a protegê-lo, ou seja, a corrente socrática. Aí estou de acordo com os outros, pois é impossível que não haja nele qualquer coisa de sobrenatural, que resiste a tudo e mais alguma coisa.

É claro que os outros não desistem de procurar, de investigar, de vasculhar, de inventar mas, e aí está o meu espanto justificado, tudo somado é nada, contrariamente aos mais ou menos ornamentados argumentos, ou aos cruéis mimos que lhe dedicam os seus companheiros ou camaradas da mentira.

Contudo, recuso-me terminantemente a acreditar que este país tenha apenas os mentirosos socráticos de que falam os outros e, no lado contrário, os outros, que são os mentirosos para os socráticos.

Ainda há, e estou plenamente convencido disso, aqueles que nem são socráticos, nem são a totalidade dos outros. São todos aqueles que não embarcam nas teorias de uns e de outros quando, de parte a parte, mentem com quantos dentes têm na boca. São todos aqueles que ainda têm discernimento e inteligência para avaliar uns e outros com seriedade e sensatez.

E estes costumam aparecer, sempre que o povo é chamado a escolher os menos mentirosos.