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afonsonunes

afonsonunes

29 Mai, 2010

Mamã, mamã...

O meu feeling revela-me que este chamamento se ouve com alguma frequência nos gabinetes do Parlamento, tendo em atenção que muitos dos deputados não conseguem esquecer a mãezinha nas longas horas que ali passam enclausurados, privados das mais elementares afectividades, como são as relações familiares.

Como aquela instituição ainda não beneficia de um lar dentro do edifício, torna-se uma espécie de violência a privação dessa companheira inseparável que é a mamã. E não me venham com essa de que ela só faz falta para dar ao rebento, o copinho de leite e as torradas, duas vezes ao dia.

No Parlamento há muito que fazer, desde dar apoio moral, até ver quem se porta bem e quem se porta mal, tudo dentro da legalidade democrática, ou não se reconhecesse unanimemente, que a sede da democracia é ali mesmo. Tal como pode bem ser a sede do amor maternal, principalmente, dos deputados que sempre foram os meninos da mamã.

Ora assim sendo, ninguém pode estranhar, como parece estar a acontecer agora, que também se dê seguimento ao tão conhecido ditado de que, amor com amor se paga. Se os deputados foram, eventualmente, meninos da mamã, por uma questão de gratidão, só sentem que retribuem o amor recebido, se tiverem ali, a seu lado, a mamã dos meninos.

O problema maior é a falta do lar, o qual daria cobertura jurídica ao assunto. Na falta dele, tem de se ter imaginação, muita imaginação, para não se dizer que andam estranhos nos gabinetes dos deputados. Com essa tal boa imaginação, o menino pode continuar a ser da mamã, a mamã pode continuar a ter ali ao lado o seu menino, e o ‘ordenadito’ também não é problema. Há sempre lugar para mais uma.

Juro que não considero estes meninos da mamã como uns corruptos ou uns desrespeitadores das leis laborais, só porque puseram o amor maternal acima de um concurso para preenchimento de uma vaga, ou arranjam mais uma verba acima do ordenado mínimo, para meter depois no IRS. Não, considero que isto são situações normalíssimas.

Situações anormais são todas aquelas que acontecem quando um boy camarada, ou um boy companheiro, arranja emprego através de uma cunha que venha lá dos seus partidos no poder. Aliás, compreende-se perfeitamente, pois é evidente que o normal é já terem lá a família toda, há muito tempo.  

Portanto, não sou eu que vou estranhar a exaltação do amor de mãe e, muito menos, o amor de filho. A mãe do filho deve sentir-se orgulhosa, mais, embevecida, por ter um filho que vê tudo o que está lá fora, todas as malandrices reais, todas as malandrices aparentes e todas as malandrices fictícias, mas não vê nenhuma das que se passam dentro do seu espaço afectivo.

Esta é uma virtude de muitos filhos de mães que toda a gente conhece no dia-a-dia, precisamente, porque o povo os conhece como filhos da mãe.

 

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