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afonsonunes

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06 Jun, 2010

Até os ingleses

O novo primeiro-ministro britânico, David Cameron, acabadinho de chegar ao número dez de Downing Street, já utilizou a táctica usada há muitos anos em Portugal. Daí que eu conclua que, afinal, por cá, temos gente com muita qualidade, capaz de dar receitas que parecem milagrosas, para problemas diabólicos.

O tal mister acaba de anunciar aquilo que não foi capaz de dizer durante a campanha eleitoral. Que vão ser precisos anos de sofrimento para curar os males de que o reino sofre. Isto tem sido o discurso de todos os primeiros-ministros cá do burgo, há muitos anos. E os sofrimentos são sempre causados pelos que saem.

A verdade é que todos vão saindo e os problemas passam para o seguinte, que será o novo depositário da cada vez mais pesada herança. É caso para perguntar para que se anda nesta azáfama permanente de deitar uns abaixo, para irem para lá outros iguais ou piores ainda. Parece-me que isto já se tornou uma verdadeira obsessão.

Por cá a coisa está vista há muito tempo, até porque dizem as más-línguas que somos isto e aquilo, agora o que muito me surpreende, são os experientes e sabidos camones, irmãos de sangue dos maiores do mundo do lado de lá do mar, que sempre resolvem tudo, menos a crise que anda por aí a dar tanta dor de cabeça.

Além das dores de cabeça também vai começando a fazer estragos nos primeiros-ministros que, um a um, parecem perfilar-se para a degola, para alguns, dos inocentes, para outros, dos grandes culpados por tudo o que aconteceu, e vai continuar a acontecer, porque os culpados não são só os primeiros-ministros que saem.

Os que entram ou vão entrar, esquecem-se que estão e estiveram envolvidos em todo o esquema, ou sistema, que fez ruir agora todo um edifício construído sobre alicerces podres, tendo como materiais de construção, a pobreza e como produto final a opulência que tudo ofuscava, escondendo a falsidade e a trafulhice.   

Bem podem os anjinhos de agora agitar nervosamente as asas brancas da pureza, que o tempo trará ao de cima, como sempre tem acontecido, todos os vícios e todas as aldrabices em que tudo acaba por mergulhar pouco tempo decorrido após se alcandorarem nas rédeas do poder. Se a memória não fosse tão curta, o sofrimento não chegaria tão longe.

Mr. David, como o Sr. dos Passos ou D. Asnar, três exemplos apenas, podem inventar mil e uma maneiras de dourar uma pílula que eles fizeram engolir no tempo deles, ou dos seus parceiros de outrora, pílula que, com o tempo, veio a manifestar os perversos efeitos secundários que hoje são bem conhecidos.

E, não vale a pena andar a inventar vítimas, porque vítimas, e inocentes, são apenas aqueles que nunca entraram em esquemas de lesa estado, nem andaram e andam por aí a toda a hora a proclamar que não querem pagar nada do que fizeram ou ajudaram a fazer, fazendo crer que se não pagarem eles, estão a defender os que vão pagar sem apelo nem agravo.

A hipocrisia é a arma que os mais poderosos usam para convencer aqueles que os levam ao poder, a dar-lhes o seu aval para, com esse mesmo poder, continuarem a enganá-los como sempre fizeram. E, tudo indica que vai continuar a ser assim, embora com o travão cada vez mais esticado por parte dos indecisos europeus.

Os sinais de trânsito vão prenunciando uma viragem à direita na próxima curva. Mas, o perigo de derrapagem não deixa de ser iminente. Para já, que o digam os ingleses.

 

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