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afonsonunes

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O nosso presidente apela aos portugueses para que façam férias cá dentro. O nosso ministro da economia espera que os presidentes de outros países não façam apelos idênticos aos seus compatriotas.

O meu querido compadre alentejano não teria mais nada a dizer senão: ‘Que tal está a moenga! …’. Posso garantir que o meu querido compadre alentejano sabe muito bem daquilo que fala porque, de contrário, diz que gosta muito mais de ficar calado.

Ainda segundo ele, o nosso presidente, que também é dele, deverá ter os números dos portugueses que vão fazer férias lá fora, enquanto o nosso ministro da economia deverá ter os números dos estrangeiros que vêm passar férias cá dentro.

A fazer fá nesta informação, que considero absolutamente fidedigna, os números de um não batem certo com os números do outro. Pudera, que eu saiba, não se pode falar de alhos e de bugalhos, como se fossem a mesma coisa.

O meu querido compadre alentejano diz que não conhece os números de um nem do outro, mas acrescenta que nem precisa dessas inutilidades para falar claro e em português corrente, como aquele que se fala na planície que o viu nascer.

Senão vejamos onde é que ele encontra uma moenga que nunca devia ter existido. O nosso presidente devia ter dito: ‘Apelo aos portugueses para que não vão fazer férias lá fora e apelo aos estrangeiros que venham fazer férias cá dentro’.

Por sua vez o nosso ministro da economia devia ter dito: ‘O apelo do nosso presidente está muito bem feito, como sempre acontece com todos os apelos que ele faz’. Obviamente que assim se teria evitado um incidente que nunca devia ter nascido.

Por outro lado, o nosso presidente devia ter dito: ‘Sei muito bem daquilo que falo, porque conheço os números dos portugueses que vão para fora passar férias’. Por sua vez o nosso ministro da economia devia ter dito: ‘Não sei bem daquilo que falo, porque não sei quantos estrangeiros vêm passar férias ao nosso país’.

Tudo isto parece muito complicado mas não é, como bem pode explicar o meu querido compadre alentejano. Diz ele que é certo e sabido que, nem os portugueses vão ouvir o apelo do nosso presidente, nem os estrangeiros ouviriam os apelos dos seus presidentes, se eles imitassem o nosso.

É ver os muitos apelos que todos os presidentes fazem, e têm feito, sobre grandes preocupações, grandes linhas orientadoras, no entender de cada um deles, grandes conselhos, grandes alertas, grandes recados. Tem-me parecido que não se nota nada. Portanto, tanto os de lá, como os de cá, podem ir de férias descansados, para onde lhes apetecer, que daí não virá a salvação de ninguém.

No entanto, e por uma questão de birra, o meu querido compadre alentejano garantiu-me que está a fazer um estudo muito aprofundado sobre os ganhos ou prejuízos resultantes das teorias presidenciais e ministeriais.

Em suma, pretende-se saber se o país recebe mais divisas com a vinda de estrangeiros, ou paga mais com a ida de portugueses lá para fora. Na diferença está o lucro ou o prejuízo, que é como quem diz, a razão de um ou de outro, se é que não têm ambos razão.

Subjacente está o problema do emprego. Se os estrangeiros não vierem e os portugueses não forem, e ficarem por cá, os empregos aumentam ou diminuem no sector do turismo, durante a época de férias.

É com esta filosofia barata que o meu querido compadre alentejano dá umas dicas ao nosso presidente e ao nosso ministro da economia. Tal como sugere dois apelos a fazer por cada um deles: ‘Apelo aos de fora que venham para cá’. E ‘ Apelo aos de cá que não vão para fora’.

Se toda a gente fosse como o meu querido compadre alentejano, isto era um país completamente limpo de polémicas. Porque ele sabe muito bem do que fala, mesmo sem conhecer certos números.

 

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