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afonsonunes

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Ainda falta muito tempo para nos pronunciarmos sobre isso, mas já é tempo de começarmos a pensar na melhor maneira de desempenharmos bem essa tarefa, pois ela não é tão simples e tão fácil como alguns parecem fazer crer. Esses são aqueles que consideram que isso é já um assunto arrumado.

Não é o meu caso pois, para mim, tal como a vindima vai até ao lavar dos cestos, também a eleição, qualquer que ela seja, só tem lugar depois de lavados os cestos cheios de roupa suja. Como os interessados ainda estão em fase de aquecimento das gargantas, tanto os que já sabem que vão ser, como o que ainda não quer dizer que vai mesmo ser, trocam apenas uns cumprimentos muito cordiais.

Tudo indica que o próximo presidente será um dos três candidatos que os portugueses já aceitaram como tal. Significa isso, que quem não gostar de nenhum deles, vai ter de se aguentar com aquele que lhe sair na rifa que não comprou. Mais, ainda antes de andar a roda da sorte, já se dá como certo que o candidato que ainda não é vai mesmo ganhar o prémio.

Com todo o meu cepticismo e o meu inconformismo, parece-me que nesta fase do país e da vida dos portugueses, justificava-se uma mudança das regras da eleição, de modo a transmitir aos eternos sacrificados, um sinal claro de que é preciso mudar de vida. Principalmente, a vida de todos aqueles que vão mudando ou renovando os cargos que vão chegando ao fim.

Com tanta preocupação com a manutenção do emprego, com a garantia dos salários e com o medo da perda das reformas, parece-me que seria da mais elementar justiça reconhecer-se que nenhum dos ‘presidenciáveis’ até agora conhecidos, reunisse as condições mínimas para ocupar tão importante cargo, como é o mais elevado da nação.

Por isso, o futuro presidente deveria ser uma pessoa que viesse efectivamente do desemprego, garantindo-se assim que era menos um nas listas que rondam os seiscentos mil. Não havia dúvidas de que esse era, na realidade, um posto de trabalho criado e um problema, ou um drama, efectivamente resolvido.

Além disso, o futuro presidente só devia receber uma reforma, e mesmo essa, só depois de terminar o seu mandato, e apenas no caso de não ser reeleito. Esta situação visava acabar com o duplo ou triplo emprego, ainda que de forma dissimulada, considerando que quem tem vários empregos, ou várias reformas, está a contribuir para que outros não tenham nada.

Ora, de entre os três conhecidos, dois estariam automaticamente eliminados, por acumularem umas pequenas reformas que, ao que dizem, provêm de descontos feitos nos respectivos empregos anteriores. Quanto ao terceiro, como não está desempregado, não reúne as condições mínimas para o cargo.

Suponho que, pela primeira vez, estou de acordo com o líder partidário que já deve ter lido alguma das minhas reflexões anteriores. O homem é, no mínimo, inovador e muito corajoso, pois não deve ter ouvido as coisas bonitas que muitos vizinhos e amigos disseram à sua volta e, sobretudo, acima dele.

Posso, no entanto, garantir que, mais uma vez, vai ter de esquecer isso e muito rapidamente, pois há coisas que nem a brincar se dizem.

Por mim, gostava que alguém me dissesse quantos postos de trabalho se poderiam criar, se cada pessoa só pudesse ter um emprego ou uma única reforma.   

Gostava que alguém me dissesse para onde ia o défice do país se os vinte e tal por cento do PIB que andam na economia paralela entrassem na economia legal.

E, já agora, também gostava que alguém me dissesse, se a fraude fiscal fosse reduzida a zero, quanto teríamos de lucro nas contas públicas ou, quanto pagariam a menos de impostos, os eternos sacrificados.

Com estas coisas, ainda não vi ninguém muito preocupado, do eleitor ao eleito, da direita à esquerda, talvez porque as suas grandes preocupações sejam bem mais ponderosas e muito mais simpáticas.

Já ando preocupado pelas muitas dúvidas que se acumulam à minha volta sobre o que irei fazer e sobre o que irá fazer o próximo presidente.