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afonsonunes

afonsonunes

15 Set, 2008

Até que enfim

 

 
 
Portugal talvez tenha sido durante muitos anos o campeão das liberdades individuais e colectivas. Não tanto porque as leis garantissem essas liberdades mas, simplesmente, porque ninguém se preocupava em fazer cumprir as leis existentes. No fundo, quase toda a gente podia fazer o que queria, desde que tivesse alguns meios para poder esconder as suas aventuras ilegítimas, mesmo que ficassem escondidas com o rabo de fora. Porque havia demasiadas maneiras de fugir com o rabo à seringa que, ainda assim, continha apenas água pura, logo, servia apenas para lavar rabos impuros.
A fiscalização em geral, parecia ser considerada uma espécie de atentado às liberdades havendo, ainda agora, quem veja nela, apenas uma tenebrosa caça às multas com a finalidade de encher os bolsos dos governantes, considerando-os os únicos bandidos existentes no país. Ora, como se tem verificado de há algum tempo para cá, os bandidos tinham aqui uma espécie de paraíso para enganar os governantes e, por consequência, todos os cidadãos cumpridores dos seus deveres, que têm pago facturas pesadas, como vítimas de toda a espécie de banditismo que se movimentava livremente com toda a impunidade.
Embora ainda muito ténue em algumas áreas, a fiscalização tem apertado malhas que estavam demasiado largas e os resultados já são visíveis em outras áreas, há mais tempo na mira dos responsáveis. É claro que muita gente está a sentir-se incomodada, o que demonstra que o caso não é apenas caça à multa, nem uma odiosa perseguição a gente séria que trabalha para viver à custa do seu esforço, sem sacrificar o esforço dos outros. A vida custa a toda a gente que gasta apenas o que consegue ganhar com o seu trabalho, mas não custa nada a quem vive à custa dos outros, roubando-os directamente, ou roubando o estado que não pode depois distribuir o que não recebe.
Apesar de todas as dificuldades que o país atravessa, que nunca falte dinheiro que mobilize todos os meios necessários para fiscalizar tudo e todos, com os incómodos que daí resultam para quem tem a consciência tranquila. Como contrapartida verá a sua segurança reforçada em todos os domínios, incluindo o direito à vida, hoje em dia posto em causa, muitas vezes por motivos verdadeiramente incompreensíveis.
Sendo certo que no momento actual do mundo já não há palavras, nem conselhos, nem discursos, nem decretos que alterem este estado de coisas, torna-se urgente actuar no mesmo terreno onde se movem todos os bandidos.
Fiscalizar, significa apenas garantir uma sociedade mais justa, mais livre e com melhor qualidade de vida.