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afonsonunes

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Por enquanto parece que é só a gente do norte que se encontra naquela desesperada situação de estar à beira de se poder revoltar contra o pagamento de portagens nas auto-estradas lá de cima, porque queriam que os de lá de baixo também pagassem. Devem ter ouvido falar naquele dito popular que nunca fez qualquer sentido de que, ou há moralidade ou comem todos. O certo é que nem há moralidade nem comem todos.

Parece-me que não estão a ver bem a coisa. Como nunca houve moralidade, nunca foram todos a pagar em coisa alguma, o que devia mesmo ter sido motivo para se estar à beira de se poder. Quem, normalmente, tem podido. Se querem ter o privilégio de poder, então viagem para sul, onde não pagarão nada, nem terão de poder ninguém.

Até porque os do sul, quando vão ao norte, também estarão à beira de se poder, se entrarem nas auto-estradas de paga paga, ou seja, paga e não bufes. Entre bufantes e podidos está a tal revolta, que não é mais que uma volta pelas auto-estradas e uma re volta pelas ruas das vilas e aldeias à beira de se poder chamar-lhes alternativas. Mas que o são, são. Só que não são auto-estradas.

Mas, penetrando mais a fundo na questão de poder ou não poder, verifica-se que anda muita gente com medo que se saiba por onde anda, e o que anda a fazer, nessas viagens de norte para sul e de sul para norte. Realmente, para esses, o chip é um verdadeiro bufo, muito pior que as escutas, pois receia-se que não possa ser apagado, ou invalidado em tribunal.

O dr r r certamente não explorou devidamente o estado de espírito de todos os nortenhos podidos, principalmente, aqueles que nem sequer estão à beira de ter uma bicicleta, quanto mais um carro a rolar pelas auto-estradas onde, nesse caso, essa gente se sentiria então, verdadeiramente podida. Mas, como não podem, não estou a ver que se revoltem assim, sem mais nem menos.

Tenho cá um pressentimento que o sr dr r r, esse sim, está a sentir-se podido, sobretudo no seu elevado poder de empurrar outros podidos e os não podidos para a beira, que se espera não seja a beira do rio que deixa poucas hipóteses de nele se tomar uma banhoca impunemente. É sabido que há quem goste imenso de andar sempre à procura de banhadas, sobretudo de multidões, ainda que patrioticamente empurradas.

Parece-me que a gente do norte não se sujeita assim tanto a morrer de amores por um rio que abusa das enxurradas perigosas que provocam outras ondas revoltas que só enrolam quem se atira, ou quem se deixa empurrar, para o meio delas.

Depois, o norte tem muitos montes e vales onde não há rio, onde não há auto-estradas, nem scuts, nem portagens, nem gente à beira de se poder. Nem que seja porque tem mais que fazer.

A gente do norte preocupa-se mais com outras podas e não com o poder de vice-reis ou outras prepotências reinantes, ou à beira de sentirem que nunca mais podem à sua doentia e insaciável vontade.

O acto de poder que vai gerar a revolta, já está abençoado pelo bispo que deixou clara a sua concordância, ou não fosse ele um natural dependente hierárquico do papa do norte, grande criador da alma revoltada e angustiada da região contra o resto do país, ainda que notoriamente a área de conflito real seja bem mais limitada.

O cardeal já pediu um candidato presidencial, presumo eu que do norte, presumindo também que, por enquanto sem revolta. Agora vem o bispo em defesa do nortenho que advoga a eminência da revolta por causa da justa causa de poder. Cá para mim, isto está a ter orações sem devoção adequada, transformando tudo numa questão de falsa fé, em desfavor do poder.

Para mais, parece-me, a mim, que se está a dar a possibilidade de poder a quem, em teoria, não pode mesmo, a menos que quem quer poder mais, também pague mais pelo que pode além das suas competências.