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afonsonunes

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O perigo espreita a cada emissão televisiva, onde todos os dias e a todas horas se ouve falar de perigos e perigosos, sendo também frequentes as incursões aos ditos e façanhas de um ou outro solitário que sente tanta necessidade de se mostrar, como os seus promotores têm necessidade de fazer deles o ouro dos seus negócios.
Neste clima de criminalidade exaustivamente propalada, há dois protagonistas que dominam e se destacam na actualidade televisiva nacional sendo, curiosamente, um deles, um protagonista passivo, enquanto o outro se assume como um bi protagonista, duplamente activo, na medida em que se destaca pelos actos que pratica e pelo facto de transformar o outro no seu bombo de festa permanente, acusando-o de ter os defeitos que não enxerga em si próprio.
Este último, é um caso típico de solitário que se julga no centro de todas as atenções, armando em porta voz de quem lhe não dá a mínima atenção e querendo fazer crer que o alvo dos seus dislates é um homem perigoso.
São conhecidas as proezas perigosas deste solitário, que já conta no seu activo com muitos assaltos de incorrigível verborreia. Estarão certamente a pensar porque motivo as autoridades não o metem no lugar que mais merecia. Não podem. Trata-se de um solitário que tem o privilégio de asneirar à vontade, mesmo contra todas as autoridades, como se estivesse a falar para os vizinhos peixes que o escutam em delírio.
No entender deste solitário, a origem de todos os males não está em si próprio, mas sim no tal perigoso que, imagine-se, tenta por todos os meios mobilizar o estado dos polícias para ver se o calam de vez e prendem os ladrões encapotados que se movimentam nas suas costas. É por isso que há quem diga que ele não é assim tão solitário como se diz.
O perigoso vai mordendo no solitário pela calada, assim do jeito de lhe retirar de vez em quando umas moedas da mesada, sem lhe passar cartão de crédito, limitando a sua acção gastadora ao vulgar cartão multibanco onde, como se sabe, os levantamentos têm limites muito apertados e, ainda por cima, em notas de valor muito baixo.
É por isso que o solitário tenta a todo o custo arranjar uma orquestra privativa para tocar em grande contra o perigoso, mas o problema está em que os músicos não querem tocar sob a batuta de um solitário, que apenas pretende dar música a um perigoso que, afinal, nem sequer é tão perigoso como o próprio solitário.