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afonsonunes

afonsonunes

10 Jul, 2010

Novela acabada...

É evidente que a novela ainda não acabou definitivamente, mas já se adivinha o fim, com todos os alívios e desilusões que estão prestes a rebentar com montanhas de emoções e interesses que ainda não se sabe bem como vão ser substituídos no dia-a-dia de quem tem vivido com isso e, principalmente, à custa disso.

Será também por causa disso, que quem tem poder para escrever a palavra fim, não é capaz de assumir esse esforço, não só porque parece mal reconhecer os muitos disparates que se foram produzindo ao longo dos anos, mas também porque deverão pesar na consciência os rios de dinheiro que fez sair dos cofres, com o rótulo de mal empregado, quando fazia tanta falta e podia ter sido muito bem empregado.

Isto para não falar na solidariedade desse poder para com todos aqueles que alimentou, bem pago ou à borla, e que agora lhe é difícil deixar entregues à sua sorte, lavando as mãos como Pilatos. Daí que a novela vá morrendo por si própria, como se a palavra fim não existisse nesse vocabulário da vergonha nacional.

Entretanto, neste impasse em que vai faltando assunto, há que criar outra novela que renda, que excite, que dê a volta às cabecinhas que vivem disso e àquelas que não podem passar sem isso, seja em casa, seja à mesa do café, seja à frente de qualquer objecto que amplie e propague essa onda doentia que já se tornou imprescindível.

Até aqui, os grandes novelistas destas histórias de arrebatar multidões, só encontraram na politiquice barata e corriqueira os assuntos que lhes deram o pano suficiente para as mangas que se sentiam capazes de cozer, à medida das suas capacidades criativas, tendo em conta que se trata de uma arte em que a produção se vê livre das peias que afectam outras modas.

Porém, parece que descobriram agora o outro fabuloso mundo de paixões incendiadas, onde os heróis e os mártires se podem comparar, em muitos aspectos, aos bombos da festa da política. Também nesse mundo, que é o mundo da bola, tão depressa se adula, como se odeia, tudo dependendo muitas vezes de um ressalto caprichoso de uma bola sem lógica.

É mais um campo ideal para meter a foice, que tanto corta o tufo de relva que faz ressaltos de bola enganadores, como entra na terra que logo deixa careca. Tudo depende da mão que segura a foice e da sua vontade de contribuir para a adulteração dos resultados dos jogos que para ali forem marcados.

Terreno mais que aliciante para nele se cultivar uma nova novela, que parece estar prestes a surgir por aí, propalada aos quatro ventos, pelos novelistas do costume. Sem política, até ver, mas com muitas cacholas a cabecear a bola na direcção de uma baliza, onde podem acabar por rolar outras cabeças que sempre pensaram que não entravam nas disputas de relvados.

Uma coisa parece certa. Esta novela não vai durar anos como têm durado as da política. Esta nova novela pode durar apenas alguns dias mas, na melhor das hipóteses não irá além de um ou dois meses, porque os mandatos, como as épocas, terminam, ou fazem-se terminar no mês de Agosto de cada ano.

Como já estamos em Julho, esta novela futebolística, por melhor que tenha sido a intenção dos seus autores, está condenada a ter um fim prematuro, tudo indicando que não chegará a dar para o petróleo.